domingo, 22 de agosto de 2010

Workshop de Desenho Arqueológico: desenho de materiais cerâmicos

Workshop Desenho Arqueológico: desenho de materiais cerâmicos
Formadora: Hermínia Santos


16 e 17 de Outubro, entre as 10.00h e as 18.00h, na Biblioteca da ALT-Sociedade de História Natural



SINOPSE

Apresentando-se como um importante  testemunho cronológico, a cerâmica, assim como muitos outros artefactos arqueológicos, necessitam de um registo gráfico rigoroso de maneira a transmitirem uma leitura simples e clara do objecto representado. 


O Workshop de desenho de materiais cerâmicos tem como  principal objectivo dar a conhecer algumas regras do desenho técnico aplicado ao desenho de materiais arqueológicos. Noção de vistas múltiplas, a ausência de perspectiva, desenho completo ou parcial de um objecto cerâmico, noção de luz e sombra, representação de secções e cortes, decoração de superfícies curvas e planas, as suas convenções e métodos de representação gráfica são pontos fundamentais na execução de um bom desenho de materiais cerâmicos. 
 
Mais informações sobre o programa e inscrições aqui ou pelo e-mail: educacao@alt-shn.org

Workshop de Desenho Arqueológico: desenho de campo

Workshop de Desenho Arqueológico: desenho de campo

Formadora: Hermínia Santos

9 e 10 de Outubro, entre as 10.00h e as 18.00h, na Biblioteca da ALT-Sociedade de História Natural

SINOPSE

O workshop de desenho arqueológico/ Desenho de campo, tem como principal objectivo fornecer uma primeira abordagem às técnicas utilizadas no desenho arqueológico, dotando o formando, das ferramentas básicas utilizadas no levantamento de estruturas arqueológicas tendo em conta a importância do mesmo para a reabilitação e preservação do património histórico.


Compreender a localização espacial de uma sondagem, a criação de uma quadricula, aplicação de escalas e grelhas de desenho, saber orientar o desenho aplicando as suas normas e convenções, são métodos fundamentais na concepção de desenhos de planos, cortes, perfis e alçados de estruturas arqueológicas.

Mais informações sobre o programa e inscrições aqui ou pelo e-mail: educacao@alt-shn.org.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Registo de testemunha de uma visita ao nosso Laboratório

Estamos todos de férias, seguramente merecidas (ainda que nós estejamos a realizar trabalhos de campo, nomeadamente o registo de um conjunto de jazidas), mas aqui deixamos um (tardio) testemunho de uma visita ao Laboratório de paleontologia e Paleoecologia da ALT-SHN ocorrido em Maio...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dinossauros de Portugal: breve síntese

A ALT-Sociedade de História Natural tem ao seu cuidado uma das maiores colecções paleontológicas de vertebrados do Jurássico Superior de Portugal, fruto de uma década de intervenções na região Oeste, em particular no Concelho de Torres Vedras.

O registo de restos directos de dinossauros de Portugal tem mostrado, nos últimos anos, que pode ser muito relevante para o conhecimento de distintos aspectos da historia evolutiva do grupo e, dada a posição da Península Ibérica, para a interpretação da distribuição de alguns dos seus componentes. O registo fóssil português conta com representantes de quase todos os grandes grupos de dinossauros (ornitópodes, tireóforos, terópodes e saurópodes) que são abundantes em alguns níveis sedimentares da Bacia Lusitana, sobretudo no Jurássico Superior (Kimmeridgiano-Titoniano) e que estão bem representados na Colecção de Referência da ALT-Sociedade de História Natural. As zonas de Torres Vedras, Batalha, Pombal e Lourinhã têm registado nos últimos anos várias ocorrências. O conjunto de ornitisquios está composto por tireóforos, dos quais que se identificaram restos de três estegossaurios (Dacentrurus, Miragaia y Stegosaurus, em Torres Vedras, Batalha e Lourinhã) e um anquilossaurio com atribuição segura: Dracopelta.  Dracopelta é um dos anquilossaurios mais antigos que se conhecem e é o único descrito até ao momento no Jurássico Superior da Península Ibérica. O seu registo restringe-se a um único exemplar procedente da Formação do Freixial (Titoniano), da Praia do Sul (Torres Vedras).
Neste contexto geológico ocorrem ainda ornitópodes, como formas próximas aos tradicionais hipsilofodontideos e driosaurideos, e também mais frequentes camptosaurideos (Draconyx e Camptosaurus). Recentemente foi apresentado no III Congresso Ibérico de Paleontologia/XXVI Jornadas da Sociedade Paleontológica Espanhola, que decorreu de 7 a 10 de Julho na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, um novo exemplar do género Camptosaurus e desconhecido no registo fóssil da Península Ibérica, pertencente à Colecção de Referência da ALT-SHN, e proveniente da Praia da Corva (Torres Vedras). Esta ocorrência assume particular relevância no que concerne ao registo de faunas partilhadas em formações geológicas sincrónicas dos EUA (Formação Morrison) e Portugal (Bacia Lusitana).
A ocorrência de saurópodes está fundamentalmente composta por formas de eusauropodes basais (Lourinhasaurus), diplocodocoideos (Dinheirosaurus) e titanosauriformes (Lusotitan), representando formas endémicas de Portugal. Mas também se reconheceu recentemente a presença de um saurópode de distribuição ibérica, como Turiasarus, ficando por estabelecer a presença de algumas formas compartilhadas com o registo fóssil de dinossauros da América do Norte, como Camarasaurus. O conjunto de géneros de terópodes (carnívoros) portugueses está constituído pelo ceratossaurio Ceratosaurus, o espinossauroide Torvosaurus, pelos carnossaurios Lourinhanosaurus e Allosaurus, e pelo tiranossauroide Aviatyrannis (Leiria).
A presença de formas estreitamente relacionadas com faunas sincrónicas no registo norte-americano, em simultâneo com formas endémicas e outras partilhadas pelo registo europeu, situam a Península Ibérica como um interessante cenário biogeográfico, cuja interpretação, apesar do importante aumento de informação que se tem produzido nos últimos anos, está ainda muito dependente da interpretação das relações de parentesco de muitos grupos representados. Os terópodes Lourinhanosaurus y Aviatyrannis são, de momento, exclusivos da Península Ibérica e Ceratosaurus y Torvosaurus seriam formas partilhadas (pelo menos a nível genérico) com o registo sincrónico de América do Norte. A ocorrência de Allosaurus em Portugal é muito mais conclusiva. Surgindo inicialmente na jazida de Andrés, Pombal, um novo exemplar de Allosaurus (ALTSHN-0019) foi descoberto em Torres Vedras, nas arribas da Praia de Cambelas, e cujo pé direito se pode ver actualmente na DINOEXPO em Castelo Branco.  A descrição destes exemplares constitui a primeira referência robusta de um allossaurídeo na Europa, do género fora da América do Norte e de uma espécie de dinossauro partilhada entre a Europa e os EUA. Os restos de Allosaurus conhecem-se bem nas camadas sincrónicas da Formação Morrison nos Estados Unidos, mas o achado dos exemplares portugueses sugere uma distribuição mais ampla da espécie ao largo da Laurasia. Esta presença de faunas partilhadas levam a supor a existência de uma ligação terrestre, pontualmente emersa ao largo do proto - Atlântico Norte, e que permitiria o intercâmbio de dinossauros entre os dois continentes. 

O presente texto é parte integrante do guião da exposição DINOEXPO, patente em Castelo Branco, referente aos materiais osteológicos da Colecção de Referência da ALT-SHN cedidos temporariamente para o evento, e é da autoria de membros do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia: Francisco Ortega, Bruno Camilo Silva, Elisabete Malafaia, Fernando Escaso e Adán Pérez Garcia.  


Para mais detalhes e abrangência sobre as faunas do Jurássico superior de Portugal, deixamos a referência dos seguintes artigos:


Ortega, F.; Escaso, F.; Gasulla, J.F.; Dantas, P.; Sanz, J.L.(2006): Dinosaurios de la Peninsula Ibérica , Estudios Geológicos, 62 (1), 219-240.

Cetáceos fósseis no III Congresso Ibérico de Paleontologia/XXVI Jornadas da SEP

No seguimento das comunicações apresentadas no III CIP/XXVI Jornadas da SEP, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, colocamos aqui mais informações sobre trabalhos por nós apresentados, desta vez sobre material de Cetáceos do Miocénico de Portugal. Os exemplares alvo de abordagem pertencem à colecção do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa.

Aqui vai a informação de referência às comunicações: 

Crânios fósseis de cetáceos (Mysticeti, Cetotheriidae) do Museu Nacional de História Natural, Lisboa: um breve enquadramento histórico
Cetacean fossil skulls (Mysticeti, Cetotheriidae) of National Museum of Natural History, Lisbon: a brief historical background

P. Mocho1,2 e L. Póvoas3

1 Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da ALT-Sociedade de História Natural, TORRES VEDRAS, PORTUGAL
2 Departamento de Geologia, Universidade de Lisboa, LISBOA. PORTUGAL. pedromochogeofcul@hotmail.com
3 Museu Nacional de História Natural (MNHN), Universidade de Lisboa, LISBOA. PORTUGAL. lipovoas@fc.ul.pt

Os crânios de cetáceos miocénicos, sediados no Museu Nacional de História Natural (MNHN) em Lisboa, constituem um registo fóssil de grande valor histórico. Tendo sido recolhidos na primeira metade do século XIX, deram origem a uma das primeiras referências, bem como às primeiras figurações de fósseis portugueses em estudos paleontológicos. Devido à sua importância na história da paleontologia em Portugal, e em particular na paleontologia de vertebrados, julgou-se pertinente realizar uma contextualização histórica destes exemplares.
Resumo: Três crânios fósseis de cetáceos das colecções do Museu Nacional de História Natural (Universidade de Lisboa), provenientes do Miocénico marinho português, foram recolhidos durante a exploração aurífera oitocentista que teve lugar na Adiça, entre a Fonte da Telha e a Lagoa de Albufeira. Dos três crânios colectados por Alexandre Vandelli restam apenas dois exemplares no MNHN (um crânio de Metopocetus e outro de Aulocetus), sendo desconhecido o paradeiro do terceiro. Existe ainda um crânio de Cephalotropis que provavelmente fora recolhido também na Adiça no mesmo período histórico. 

Palavras-chave: Alexandre Vandelli, Academia Real das Ciências, Cetáceos fósseis, exploração aurífero

Abstract: Three cetacean fossil skulls belonging to the collections of the National Museum of Natural History (Lisbon University), from the Portuguese marine Miocene, were collected during the 19th century gold exploitation, at Adiça, between Fonte da Telha and Lagoa de Albufeira. Only two skulls collected by Alexandre Vandelli are in MNHN collections (one skull of Metopocetus and another one of Aulocetus). The location of the third specimen is unkown. There is also a Cephalotropis skull, probably collected at Adiça, in the same historical period.

Key words: Alexandre Vandelli, Academia Real das Ciências, Adiça, gold exploitation, fossil cetaceans



Contribuição para a revisão sistemática de um crânio de Cephalotropis Cope, 1896 (Cetacea: Cetotheriidae) do Miocénico superior (Tortoniano inferior) da Adiça (Sesimbra, Portugal)
A contribution for the systematic study of a Cephalotropis Cope, 1896 (Cetacea: Cetotheriidae) skull, from the Upper Miocene (Lower Tortonian) of Adiça (Sesimbra, Portugal)

P. Mocho1,2 e L. Póvoas3

1 Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da ALT-Sociedade de História Natural, TORRES VEDRAS, PORTUGAL
2 Departamento de Geologia, Universidade de Lisboa, LISBOA. PORTUGAL. pedromochogeofcul@hotmail.com
3 Museu Nacional de História Natural (MNHN), Universidade de Lisboa (UL), LISBOA. PORTUGAL. lipovoas@fc.ul.pt

O crânio fóssil em foco possui importância para além do seu potencial científico, por se tratar de um registo de grande valor histórico recolhido muito provavelmente na primeira metade do século XIX. O presente estudo surge da necessidade de revisão e reavaliação de interpretações sistemáticas de estudos clássicos, já descontinuados, incidentes no crânio fóssil de Cephalotropis pertencente à colecção do Museu Nacional de História Natural (MNHN), em Lisboa. Ao contrário de estudos anteriores, este baseia-se em observações de carácter presencial.

Resumo: Este estudo apresenta-se como uma primeira abordagem no processo de revisão sistemática de um crânio de Cephalotropis pertencente às colecções do Museu Nacional de História Natural (Universidade de Lisboa). O exemplar recolhido no séc.XIX em terrenos do Miocénico superior (Tortoniano inferior) na região litoral da Adiça, apresenta características que o aproximam da espécie Cephalotropis coronatus do Miocénico superior de Maryland (E.U.A.), abrindo assim a possibilidade de um novo enquadramento sistemático, diferente do anteriormente proposto. 

Palavras-chave: Cephalotropis coronatus, Cephalotropis nectus, Cetotheriidae, Cetáceos, Miocénico

Abstract: This study constitutes a first approach to the systematic revision of a Cephalotropis skull belonging to the National Museum of Natural History (UL) collections. The specimen, collected during the 19th century in levels of the Upper Miocene (Lower Tortonian) from Adiça region, shows evidences that approximate it to the species Cephalotropis coronatus from the Upper Miocene of Maryland (USA). This leads to the possibility of a new systematic proposal different from the previous one.

Key words: Cephalotropis coronatus, Cephalotropis nectus, Cetotheriidae, Cetaceans, Miocene.




sábado, 17 de julho de 2010

Nova evidência de Ceratosaurus no Jurássico superior da Bacia Lusitânica

No seguimento dos posts anteriores (que saem em conta-gotas dado o volume de informação), apresentámos ainda uma comunicação que consiste em nova evidência de Ceratosaurus no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica, apresentada no III Congresso Ibérico de Paleontologia e XXVI Jornadas da Sociedad Española de Paleontologia.
O exemplar, proveniente da jazida da Praia de Valmitão na região centro-ocidental de Portugal, está composto por um fémur esquerdo, uma tíbia direita incompleta e um fragmento da diáfise de uma fíbula. Estes restos apresentam um conjunto de caracteres similares aos conhecidos em algumas formas do género Ceratosaurus descritas na Formação de Morrison (EUA).
Ceratosaurus tinha sido já anteriormente descrito no Jurássico Superior português mas este registo é, até ao momento, muito fragmentário e está composto por restos craniais (dentes) e post-craniais, recolhidos em diferentes jazidas localizadas sobretudo na área do Município da Lourinhã, em sedimentos de idade Kimeridgiano superior – Titoniano inferior.
O conjunto de caracteres partilhados pelos exemplares portugueses e por outros membros do género Ceratosaurus do registo da Formação de Morrison incluem: 1) fémur com a extremidade proximal comprimida anteroposteriormente; 2) cabeça femoral dirigida anteromedial e ventralmente relativamente à diáfise; 3) fémur com uma superfície de inserção muscular em forma de impressão digital na superfície anterior do trocanter maior; 4) trocanter menor curto distoproximalmente (extremidade dorsal encontra-se significativamente abaixo do trocanter maior); 5) cresta trocanter bem desenvolvida na extremidade proximal do fémur; 6) fémur com a cresta mediodistal curta distoproximalmente (comprimento menor do que ¼ do comprimento da diáfise); 7) tíbia com a cresta cnemial que se projecta dorsalmente bem acima do nível dos côndilos medial e lateral; 8) tíbia com uma fossa lateral bem desenvolvida na extremidade proximal e delimitada por uma projecção que se desenvolve entre as crestas cnemial e fibular; 9) ectocôndilo (=côndilo lateral) não se encontra separado do corpo principal da extremidade proximal da tíbia; 10) processo ascendente do astrágalo curto distoproximalmente (inferido pela curta superfície da tíbia que representa a zona de suporte para este processo).
Os exemplares descritos na Bacia Lusitânica são as únicas evidências possíveis de identificar ao género de neoceratossáurios Ceratosaurus conhecidas, até ao momento, no Jurássico Superior fora da América do Norte.
--
Imagem: Níveis sedimentares na praia da Corva / Valmitão nos quais foi encontrado o exemplar ALTSHN-VLM-02

Referência
Malafaia, E., Ortega, F., Escaso, F., Dantas, P. e Silva, B. 2010. Nova evidência de Ceratosaurus (Theropoda, Ceratosauria) no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica (Portugal). Publicaciones del Seminario de Paleontología de Zaragoza (SEPAZ), 9: 157

Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do projecto de investigação VERT-JURA PTDC/CTEGEX 67723/2006 financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, com o apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras, empresa Ângelo Custódio Rodrigues S.A., Jurassic Foundation e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.