quarta-feira, 25 de julho de 2012

Para os entusiastas de saurópodes: em primeira mão


Ora aqui transcrevemos uma nota do nosso Colega Pedro Mocho, publicada noutro blog (Cuadernos de Godzillin): 


A tão esperada sequela de Star Wars? O novo romance de José Saramago? O anúncio do fim da crise? Cristiano Ronaldo assina pelo Barcelona? Não!!! Algo mais interessante será anunciado hoje. Bem, temos que admitir que não se trata propriamente de uma notícia em primeira mão, e muito provavelmente nem em segunda. Passamos ao assunto: a dentadura de Lirainosaurus!

À medida que os tempos passam, Lirainosaurus vai fazendo escola pelo mundo da sauropodologia (e de Fórnea*). Desta vez, Verónica Diáz-Diéz e co-autores apresentam na prestigiada revista Geobios um estudo sobre o material dentário de Lirainosaurus, tanto de indivíduos adultos como de juvenis. Este estudo baseou-se numa incrível amostra de mais de 100 dentes relacionados a Lirainosaurus e provenientes da jazida de Laño (Norte de Espanha) onde afloram sedimentos do Cretácico Superior.

Um dos aspectos interessantes desta amostra está relacionado com o facto de permitir comparar dentro de um mesmo taxóne, dentes de indivíduos juvenis e de adultos, e detectar assim as respectivas diferenças ontogenéticas. O estudo das superfícies de desgaste permitiu também analisar possíveis alterações na dieta ao longo da vida do indivíduo.

Para mais informações, é favor de ler o artigo: Díez Díaz, V.; Suberbiola, X. P. & Sanz, J. L. (2012): Juvenile and adult teeth of the titanosaurian dinosaur Lirainosaurus (Sauropoda) from the Late Cretaceous of Iberia. Geobios, 45: 265-274. http://dx.doi.org/10.1016/j.geobios.2011.10.002

Nota do Autor: *Referência ao nome desta crónica de elevado nível de intelectualidade.

                                                               Dentes de Lirainosaurus e suas respectivas superfícies de desgaste (Díez Díaz et al., 2010)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ciência Viva no Verão: actividades de Paleontologia e Biologia em Torres Vedras

Este ano a ALT-Sociedade de História Natural aderiu ao programa Ciência Viva no Verão, no âmbito da Geologia (Paleontologia) e da Biologia.


As actividades por nós promovidas são:


Paleontologia
- Caminhando com dinossauros... uma viagem ao Jurássico de Torres Vedras. 

Biologia
- O meu primeiro caderno de campo de Biologia
- Flores alternas ou opostas?
- Descobrir vida nas rochas - Praia de Santa Rita
- Descobrir vida nas rochas - Praia do Guincho

As datas e demais informação poderão ser consultadas em  http://www.cienciaviva.pt/veraocv/comum/2012/actividadeshoje.asp 

CONTAMOS CONSIGO!

sábado, 23 de junho de 2012

10th Annual Meeting of the European Association Vertebrate Paleontology, Teruel 2012



Ao longo desta semana, investigadores da Sociedade de História Natural (de Torres Vedras) apresentaram diversos trabalhos dinossaurológicos, no 10th Annual Meeting of the European Association Vertebrate Paleontology que se realizou entre o dia 19 e 24 de Junho de 2012, em Teruel, Espanha. Este congresso tornou-se em mais uma oportunidade através da qual os investigadores da SHN expuseram ao mundo algumas das mais recentes novidades sobre a investigação de vertebrados mesozóicos de Portugal, e em especial do Jurássico Superior Português. Os trabalhos apresentados emergem de produtivas sinergias estabelecidas com diversas instituições nacionais e europeias, das quais destacamos: Museu Nacional de História Natural (Lisboa), Universidad Nacional de Educación à Distancia (Espanha), Universidad Autónoma de Madrid e a Fundación Dinópolis (Teruel).

Teruel

terça-feira, 5 de junho de 2012

Investigadores da SHN participam em escavação paleontológica no território espanhol.




No passado mês de Maio, investigadores da Sociedade de História Natural de Torres Vedras participaram numa escavação paleontológica em território espanhol, mais precisamente em terrenos da “Formación Arcillas” de Morella, datados do Aptiano (Cretácico Inferior). Esta escavação contou ainda com a presença de investigadores da Universidad Nacional de Educación a Distancia, Universidad Complutense de Madrid e Universidad Autónoma de Madrid.



Ao longo desta intervenção foram colectados diversos restos fósseis de vários grupos de vertebrados: tartarugas, crocodilos, pterossáurios, peixes, terópodes, ornitópodes e saurópodes. Contudo, foram as tartarugas que assumiram o papel principal nesta escavação, com a possibilidade de estarem vários táxones representados. Esta intervenção paleontológica coloca em evidência mais uma vez, o imenso potencial paleontológico da região de Morella.e da formação em causa, uma das formações clássicas do Cretácico Inferior espanhol.


Nos seguintes enlaces, poderá aceder às notícias realizadas por El Periódico Mediterráneo e Comarquesnord.

sábado, 2 de junho de 2012

Dinossauros no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha



O Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) localiza-se no centro histórico da vila da Batalha. Esta região integra-se na unidade geomorfológica designada Maciço Calcário Estremenho e nas imediações do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. O MCCB (Museu da Comunidade Concelhia da Batalha) define-se como “um Museu de todos e para todos”. A sua matriz baseia-se na linha da museologia inclusiva, através de uma forte aposta na área das acessibilidades, com percursos e equipamentos adaptados a pensar nos visitantes com necessidades especiais. O programa expositivo está organizado em três áreas distintas: Passado, Presente e Futuro.
Na área temática dedicada ao Passado é apresentada uma breve síntese da evolução do território nos últimos 250 Milhões de anos, com base nos registos geológico, paleontológico e arqueológico, conhecidos na região. A área expositiva do MCCB inicia com uma breve síntese da história do Universo, através de uma linha do tempo em que se encontram assinalados os principais acontecimentos da evolução da Terra de da Vida. Após esta curta introdução a exposição centra-se nos registos conhecidos na região. Conta-se a evolução deste território com base no vasto registo conhecido nos estratos que compõem o Maciço Calcário Estremenho. Esta unidade geomorfológica é um dos maiores testemunhos ibéricos da história geológica do Jurássico e é um elemento fundamental da paisagem da região.
Os sedimentos do Jurássico Médio, predominantemente calcários, formam actualmente as serras da região e indiciam paleoambientes marinhos e litorais. Nestas rochas são abundantes fósseis de invertebrados (e.g. crinóides, equinóides, coraliários, equinodermes, bivalves). São também conhecidas na região evidências de dinossáurios do Jurássico Médio, essencialmente pegadas, das quais se destaca na exposição o Monumento das Pagadas de Dinossáurios (conhecida Pedreira do Galinha), localizada a cerca de 19km da Batalha. O registo fóssil do Jurássico Superior é constituído, essencialmente, por dinossáurios mas são também conhecidos escassos restos de outros vertebrados (e.g. peixes, crocodilianos e tartarugas).
No MCCB destaca-se neste registo a descoberta de um exemplar deStegosaurus na jazida de Casal Novo (Batalha). Podem ver-se diversos elementos deste exemplar e conta-se a história da descoberta, bem como os trabalhos de escavação na jazida. São apresentadas também as hipóteses paleogeográficas para explicar a presença de Stegosaurus, bem como de outros táxones descritos em níveis sincrónicos da América do Norte, no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica. Para além de ossos fossilizados deStegosaurus estão expostos também outros vestígios de dinossáurios descobertos na região (e.g. dentes e vértebras isoladas de dinossáurios terópodes provenientes de Porto de Mós). A caracterização dos diferentes ecossistemas ao longo da evolução deste território é acompanhada por diversas ilustrações, realizadas pelos ilustradores científicos Ivan Gromicho (ALT-SHN), Raúl Martín e Mauricio Antón.
Com base no registo de processos geológicos e de fósseis é apresentada a síntese da evolução da Bacia Lusitânica e, em particular do Maciço Calcário Estremenho, através de uma série de diagramas interpretativos das diferentes fases de evolução (desenvolvidos por Nuno Farinha). Este projecto museológico contou com a acessória científica de diversas equipas que desenvolveram trabalhos prévios de investigação nas respectivas áreas temáticas. Os trabalhos de paleontologia foram desenvolvidos por investigadores ligados sobretudo à ALT-Sociedade de História Natural, Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa e ao Laboratório de História Natural da Batalha, bem como a instituições de Espanha, nomeadamente a UNED e UAM. No âmbito destes trabalhos foram realizadas, com o apoio da Câmara Municipal da Batalha, campanhas de escavação paleontológicas na jazida de Casal Novo, na qual foi descoberto o primeiro exemplar de dinossáurio ornitisquio identificado ao género Stegosaurus conhecido em Portugal.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Palestra sobre dinossauros terópodes na Faculdade de Ciências da UL: Breve Resumo


Realizou-se no passado dia 26 de Abril mais uma sessão dos Colóquios de Paleontologia, uma iniciativa do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (GeoFCUL) e do Núcleo de Estudantes de Geologia (NEGFCUL). Estes colóquios têm vindo a reunir um número crescente de participantes e representam uma excelente oportunidade para a discussão e divulgação de conhecimento na área da paleontologia.
Nesta última sessão, levada a cabo pela paleontóloga Elisabete Malafaia (ALT-SHN), incidiu-se sobre os dinossáurios terópodes do Jurássico Superior português, apresentando-se uma síntese do conhecimento actual sobre o registo destes dinossáurios na Bacia Lusitânica. Neste colóquio foram discutidos aspectos relacionados com a interpretação tafonómica e paleoambiental resultante do estudo de material inédito.
Os terópodes do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica são conhecidos actualmente em sedimentos de idade entre o Oxfordiano superior e o topo do Titoniano, embora sejam mais abundantes em níveis do Kimmeridgiano superior – Titoniano superior, sobretudo das formações de Alcobaça e Lourinhã. Este registo está composto, sobretudo, por um conjunto de táxones identificados a ceratossáurios e tetanuros (megalossáuroides e alossáuroides). Embora menos frequentes, são também conhecidos diversos exemplares interpretados como pequenos coelurosaurios, representados sobretudo por dentes isolados.
A identificação de diversos grupos de vertebrados continentais, em particular de dinossáurios, no registo do Jurássico Superior da Ibéria que correspondem a formas partilhadas com registos sincrónicos da América do Norte (e de forma mais excepcional com o registo africano) tem permitido justificar a existência de possíveis contactos entre as faunas desenvolvidas em ambos lados do Atlântico. Por outro lado, a actividade tectónica relacionada com a abertura do Atlântico Norte poderá ter sido determinante no desenvolvimento destes ecossistemas, por vicariância e consequente instalação de formas endémicas.        
Grande parte das colecções de restos osteológicos de dinossáurios do Jurássico Superior português conhecidas actualmente está composta por restos isolados. Uma vez que não existe legislação específica, estes restos são recolhidos, em muitos casos, por aficionados, geralmente coleccionadores de fósseis ou colectores ocasionais. A actividade destes colectores tem permitido recuperar diversos exemplares na faixa costeira do território, onde poderiam ser facilmente destruídos devido à erosão costeira ou pela acção de curiosos. Por outro lado, estes exemplares chegam ao paleontólogo fora do seu contexto estratigráfico e geológico. Embora por vezes seja possível identificar o local exacto e mesmo o nível sedimentar de onde são provenientes os restos, parte da informação tafonómica (orientação e posição dos ossos) fica perdida. A ausência destes dados dificulta a interpretação das jazidas sob um ponto de vista paleoambiental e tafonómico.  
Em conclusão, estas foram algumas das questões discutidas neste último colóquio de paleontologia que contou com cerca de 40 participantes, desde estudantes, professores universitários e elementos de instituições como o Portugal Natura.