sexta-feira, 19 de abril de 2013

Geologia e Paleontologia no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, em Torres Vedras

Welcome! A nossa monitora Cristiana Esteves
faz a introdução aos jovens geólogos/paleontólogos
Celebrou-se ontem o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, e como não podia deixar de ser, a Paleontologia e Geologia de Torres Vedras ofereceu mais conhecimento aos pequenitos que nos acompanharam numa caminhada pelas arribas de Torres Vedras. Porque monumentos e sítios não são apenas aqueles realizados ou ocupados no passado pelo homem, os petizes do 1º e 2º ciclo das escolas de Torres Vedras puderam olhar para os sedimentos da Foz do Sizandro, e aprender muito sobre os ecossistemas em que viveram os dinossauros do Jurássico Superior de Torres Vedras. Estruturas sedimentares como ripple marks, icnofósseis de invertebrados, bivalves e outras evidências puderam ser observados, sendo possível pelos pequenitos depreender como os paleontólogos da Sociedade de História Natural interpretam estas ocorrências para reconstruir os habitats dos dinossauros que aqui viveram à 150Ma. Deixamos aqui algumas imagens...
Observando a estratigrafia, com figuras de carga
Calcite ou outro mineral?
O ácido dá a resposta (e foram advertidos
para não tentarem isto em casa)...
Uma vista parcial do sítio onde se desenvolveu a acção

quarta-feira, 13 de março de 2013

Um novo olhar por Spinophorosaurus...


Os investigadores Pedro Mocho (Sociedade de História Natural e Universidad Autónoma de Madrid) e Francisco Ortega (Sociedade de História Natural e Universidade Nacional de Educación a Distáncia) visitaram o Museo Paleontológico de Elche/Elx (MUPE) no sul de Espanha com o objectivo de proceder ao estudo do material ai depositado e proveniente do Jurássico Médio de Niger, mais precisamente o saurópode Spinophorosaurus, juntamente com os investigadores do MUPE.


Tudo começou em 2007, onde foi encontrado, através do Projecto PALDES, um esqueleto de  um saurópode cuja a sua sua foto viajou por todos os meios de comunicação social. Além da sua beleza, este saurópode possui a particularidade de ter a sequência vertebral quase completa, ossos apendiculares e crânio associado. Esta escavação, organizada pelo MUPE, contou também com a participação de investigadores da Sociedade de História Natural, assim como do Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

Em 2009, foi publicado na prestigiada revista PlosOne, um novo saurópode, baptizado de Spinophorosaurus nigerensis. Além de este material fóssil corresponder a uma nova espécie de saurópodes, este constitui uma importante janela para a compreensão da primeira fase evolutiva de este grupo de dinossáurios.

Contudo, Spinophorosaurus tem ainda muito para revelar!

Deixamos também algumas referências que estão a surgir na imprensa espanhola:

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Referencias

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Paleotaxonomists in extinction, but "We Will Survive"




Encontrámos no Jornal Público uma história que nos chamou a atenção. O seu título é "Eis uma espécie que não está em extinção: os taxonomistas". Este artigo fala sobre um estudo que lista alguns pontos curiosos:
  • Dos quase dois milhões de espécies existentes, apenas um milhão e meio são válidos (o resto são considerados sinónimos possíveis de espécies).
  • As espécies que ainda são desconhecidas podem ir ao cem milhões.
  • Há um universo de 47.000 taxonomistas.

Parte triste da notícia... Onde estão os taxonomistas em Paleontologia?

Pois.... eles não estão. Uma vez mais ignorados. Multiplique o número de espécies desconhecidas (por exemplo, metade, 50 milhões) e ao aceitarmos que uma espécie pode durar cerca de 5 milhões de anos (razoável para um dinossauro), então, desde do Paleozóico os paleontólogos teriam 5400000000 novas espécies para descobrir. É claro que a evolução geológica do nosso planeta tem eliminado a maioria, mas mesmo assim, o número de espécies paleontológicas por descobrir parece-nos enorme.

Com este cenário, perguntamos: onde estão os taxonomistas em Paleontologia? Bem, em extinção! E com a atual conjuntura, há cada vez menos pessoas a poder estudar o registo fóssil. Só em Portugal, não devem ser mais de 50 taxonomistas em Paleontologia.

Esta é a realidade da taxonomia em Paleontologia, uma ciência que nos últimos anos alimentou toda uma indústria interessada pelos fósseis (em particular a cinematográfica). Contudo, não temos outra hipótese se não depender de bolsas que tardam em sair ou de um posto de trabalho que nunca irá aparecer.

Um futuro incerto pela frente, pelo menos na Península Ibérica. Muitos fósseis e poucos paleontólogos.

No entanto, We Will Survive.



Os devidos créditos ao blogue Godzillin

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ampelosaurus, primeiro saurópode de Lo Hueco


Saiu hoje na prestigiada revista PlosOne um estudo que conta com a participação de um dos membros investigadores da Sociedade de História Natural, Francisco Ortega. Este estudo corresponde ao primeiro saurópode descrito da jazida de Lo Hueco, na qual também participamos nos trabalhos de escavação  Esta da jazida foi descoberta em 2007 durante as obras que pretendiam construir um linha ferroviária de alta-velocidade atravessando a região de Cuenca, em Espanha, tornando-se provavelmente na jazida mais importante de toda a Península Ibérica, e uma das mais importantes jazidas do mundo.


Este estudo baseia-se no estudo anatómico de um basicrânio de um saurópode (os nosso amigos de cauda e pescoço compridos), bem como de todo o seu sistema neurocentral. Este crânio do Cretácico Superior Espanhol é assim relacionado a um género de titanossaurídeos (grupo de saurópodes derivados que existiu ao longo de Cretácico) já identificado no Cretácico Superior de França, Ampelosaurus. 

De esta jazida foi colectada uma enorme quantidade de restos fósseis de vertebrados e surge como um das jazidas mais importantes da história da Paleontologia, com diversos grupos de vertebrados representados (dinossáurios, peixes, crocodilos, tartarugas, etc.).



 

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  • Fabien Knoll, Ryan C. Ridgely, Francisco Ortega, José Luis Sanz y Lawrence M. Witmer. “Neurocranial osteology and neuroanatomy of a Late Cretaceous titanosaurian sauropod from Spain (Ampelosaurus sp.)” PLOS ONE, 23 de enero de 2013, DOI: 10.1371/journal.pone.0054991

terça-feira, 18 de dezembro de 2012