quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mitologia japonesa e a nova tartaruga fóssil do Jurássico Superior de Portugal. Uma relação improvável?

Representação, de meados do Séc. XIX, de vários tipos de Kappas
São muitos os seres "atartarugados" que formam parte da mitologia e ficção de diversas culturas. Provavelmente muitos dos nossos leitores conheçam a Gameira, a tartaruga gigante voadora que rivalizou com Godzilla no cinema japonês. No entanto, a cultura japonesa conta com outro personagem “atartarugado”, protagonista de muitas histórias do folclore desse país. Trata-se, nada mais, nada menos, dos Kappas. Mas, que demónios são os Kappas?

Os kappas são umas criaturas travessas e geralmente maléficas, de especto humanoide, cobertas de escamas, com cabeça que recorda a de uma tartaruga e com uma espécie de couraça dorsal, muitas vezes representada como uma carapaça deste grupo de repteis. 
Kappas saciando o seu apetite
Um aspeto curioso destes seres de água doce é a presença de uma cavidade no centro da cabeça, rodeada de pelo, que recorda a calva que têm certas ordens de religiosos católicos… Esta está preenchida por um fluido aquoso especial, do qual deriva a sua grande energia. Esta região é justamente o ponto fraco dos kappas: a perda desse líquido deixa-os sem poderes, o que os leva à morte.

Mas que pepinos (sendo que este vegetal é para os kappas um dos poucos manjares mais suculentos que meninos humanos) têm que ver estes seres com Portugal? Pois bem, a origem desse nobre é considerado como uma transliteração da palavra portuguesa “capa”, um termo empregue para denominar a treliça de vestir que os monges portugueses que chegaram ao Japão no Séc. XVI levavam às costas. A cabeça rapada destes monges e as suas costas cobertas por esta estranha indumentária deve ter surpreendido muito os habitantes Japoneses.
Os Kappas, fazendo das suas
Carapaça, em vistas dorsal e ventral,
do holótipo do novo táxon (SHN.LPP 172
)
Agora que já sabemos o que é um kappa, e como se relaciona com Portugal, passamos a apresentar, de maneira preliminar, o novo táxon recém descrito no registo fóssil português. Acaba de ser publicado, na versão on line da revista científica Comptes Rendus Palevol, um artígo no qual se descreve uma nova espécie de tartaruga do Jurássico Superior: Hylaeochelys kappa, e proveniente da Colecção Paleontológica  da Sociedade de História Natural. O registo de tartarugas do Jurássico da Bacia Lusitânica é tido como relativamente diverso, destacando os membros de Paracryptodira (como a tartaruga aqui descrita Selenemys lusitânica, igualmente da colecção da SHN), assim como vários representantes do grupo de eucryptodiras basais Plesiochelyidae. A nova tartaruga, que aumenta ainda mais este registro, também se trata de um representante basal de Eucryptodira, mas não atribuível a Plesiochelyidae, mas sim a Hylaeochelys. O género Hylaeochelys era, até agora, unicamente conhecido no Cretácico Inferior de Inglaterra, onde estava representado por uma única espécie. A descrição da nova Hylaeochelys kappa não só compreende o primeiro achado confirmado de Hylaeochelys fora do registo britânico, senão que representa o único género de Eucryptodira europeia com una distribuição que abarca tanto níveis do Jurássico como do Cretácico.
Adán Pérez-Garcia (Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da SHN/ Universidad Complutense de Madrid), numa das etapas finais de preparação do holótipo de Hylaeochelys kappa.

Dado que o artigo ainda está "no prelo" serve este post como nota de boas vindas a Hylaeochelys kappa. Em breve se ampliará a informação e será apresentado publicamente o exemplar….Aguardemos por Janeiro!
Referencia: Adán Pérez-García; Francisco Ortega. In press. A new species of the turtle Hylaeochelys (Eucryptodira) outside its known geographic and stratigraphic ranges of distribution. Comptes Rendus Palevol. http://dx.doi.org/10.1016/j.crpv.2013.10.009

Este estudo foi apoiado parcialmente pela Câmara Municipal de Torres Vedras e empresa Ângelo Custódio Rodrigues S.A

sábado, 14 de dezembro de 2013

Conferencia do nosso colega Pedro Mocho, no Museo Nacional de Ciencias Naturales (Madrid) "Los Gigantes del Jurásico Superior Ibérico: Lo que sabemos hoy en día"



No próximo dia 17 de Dezembro, o investigador português, da Sociedade de História Natural e Universidad Autónoma de Madrid, Pedro Mocho, irá apresentar uma conferência no âmbito do centenário da réplica de Dippy do Museo Nacional de Ciencias Naturales em Madrid. Esta é uma das réplicas originais do Diplocus exposto no Carnigie Museum (Estados Unidos da América).


Esta conferência entitulada de "Los Gigantes del Jurásico Superior Ibérico: Lo que sabemos hoy en día", que em português seria "Os gigantes do Jurássico Superior Ibérico: O que sabemos hoje", tem como objectivo explorar o mundo dos dinossáurios saurópodes do Jurássico Superior Ibérico, com uma perspectiva integrada entre as primeiras e últimas descobertas em território peninsular, passando pelos nossos bem conhecidos saurópodes portugueses como Dinheirosaurus, Lusotitan, Lourinhasaurus, e algumas pequenas surpresas. 

Deixamos uma tradução do resumo, originalmente em espanhol. 

"Desde do século XIX, os saurópodes são parte integrante do conhecimento existente sobre as faunas de vertebrados mesozóicos da Península Ibérica. Neste território, os restos de saurópodes são particularmente abundantes nos sedimentos do Jurássico Superior. Nas últimas décadas assistimos a uma impressionante revolução na compreensão de estes "gigantes" da Península. Nesta segunda comunicação apresentada com motivo do centenário de Dippy, será apresentado um breve resumo sobre as descobertas ibéricas de estes animais pretéritos, contemporâneos dos conhecidos saurópodes como os norteamericanos Diplodocus, Camarasaurus e Brachiosaurus e o africano Giraffatitan."

"Desde del siglo XIX, los saurópodos son parte integrante del conocimiento existente sobre las faunas de vertebrados mesozoicos de la Península Ibérica. En este territorio, los restos de saurópodos son particularmente abundantes en los sedimentos del Jurásico Superior. En las últimas décadas hemos asistido a una impresionante revolución en la comprensión de estos “gigantes” de la Península. En esta segunda comunicación presentada con motivo del centenario de Dippy, se presentará una breve reseña sobre los hallazgos ibéricos de estos animales pretéritos, contemporáneos de conocidos sauropodos como los norteamericanos Diplodocus, Camarasaurus y Brachiosaurus o el africano Giraffatitan." 

Para mais informações, consulte o seguinte site:
http://www.sam.mncn.csic.es/conferencias1.php?idconferencia=197

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

XXVII Feira de Minerais, Gemas e Fósseis, 5-8 de Dezembro


http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1805682&_dad=portal&_schema=PORTAL

Como tem sido tradição todos os anos em Lisboa, antes do Natal e do Ano Novo, realizar-se-á mais uma vez, uma das feiras de minerais, gemas e fósseis mais importantes a nível mundial, a XXVIII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

A ter lugar nos dias 5 a 8 de Dezembro, este ano, a feira terá como temática os cristais. É então espectável esperar milhares de exemplares com formas e geometrias exuberantes, espalhados pelas numerosas bancadas que o Picadeiro (edificio localizado a oeste do Museu Nacional de História Natural e da Ciência) albergará nos próximos dias. 

 Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Lisboa

Uma vez mais, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência decide organizar uma das feiras de minerais mais importantes na Europa, agora na vigésima sétima edição. Este evento estriou-se pela primera vez no ano de 1998, despois de alguns anos dificeis, em parte, consequência do incêndio de 1978, que destruio parte importante do Museu Nacional de História Natural. Contudo, esta instituição, decide avançar de forma ambiciosa com a organização de uma feira internacional de minerais, gemas e fósseis, que hoje é parte fundamental da actividade cultural anual da cidade de Lisboa (Portugal). Apesar dos tempos de crise, é bom termos ainda a oportunidade de visitar mais uma vez esta magnífica feria, à qual desejamos longa vida.

Estes dias, estaremos também presentes na XXVIII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, promocionando um pouco nossa actividade em torno das faunas do Jurásico Superior Português.

Deixamos em seguida um breve calendário: 
  • Horário: 5 Dezembro – das 15.00h às 20.00h; 6 e 7 Dezembro – das 10.00h às 20.00h;  8 Dezembro – das 10.00h às 18.00h 
  • Local: Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Rua da Escola Politécnica, 60. 1250-102 Lisboa

http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1805682&_dad=portal&_schema=PORTAL

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis

Já começaram os preparativos para a XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, este ano dedicada aos aspectos essenciais dos minerais. Como habitualmente, paralelamente à Feira, terá lugar um programa complementar de actividades de divulgação cultural e científica subordinadas ao tema geral "Cristais".

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

SHN na XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis

A Sociedade de História Natural vai estar presente este ano na XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, que decorrerá de 5 a 8 de Dezembro no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa! Lá estaremos então, para promover a nossa exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", bem como para dar a conhecer a nossa investigação científica! Passem por lá, e falem com um dos nossos investigadores!


Hadrossauriformes de Morella (Espanha) na Cretaceous Research

Capas rojas de Morella

Nas jazidas de dinossáurios das "Capas rojas de Morella" e arredores foram citados pela primeira vez a presença de "lagartos terríveis" em Espanha, com as descobertas de Nicolas Ferrer e Julve nos meados do século XIX. Desde então sucederam-se numerosos e importantes achados e investigações que melhoraram a conhecimento existente sobre as faunas de vertebrados, em particular dinossáurios, do Cretácico Inferior da comarca de Els Ports.

Maxila direita de Iguanodon bernissartensis da jazida de “Mas de la Parreta”

Recentemente, investigadores e colaboradores da Sociedade de História Natural publicaram na revista científica Cretaceous Research um importante contributo sobre os grandes ornitópodes hadrossauriformes que habitavam os ecossistemas do Sul da Europa à 120 milhões de anos. Neste recente estudo são descritos restos craniais do ornitópode hadrossauriforme mais abundante nos níveis do Cretácico Inferior de Morella (Castellón, Espanha).
Abstract: This article describes isolated skull bones of at least three ornithopod dinosaurs from the lower Aptian “Arcillas de Morella” Formation at Morella (Castellón, Spain). These bones correspond to two right maxillae and a partial left quadrate. Analysis of the two maxillae belonging to the large-sized European ornithopod Iguanodon bernissartensis provided new information about this taxon. Hence, for the first time in Iguanodon, a rostrodorsal process and a straight shape, both in the maxilla and in the tooth row, are described when viewed dorsally and occlusally, respectively. Regarding the left quadrate, in the lateral and medial views, the presence of a bowed quadrate shaft related the left quadrate to the monospecific genus of large-sized ornithopod from the European Early Cretaceous Mantellisaurus. Given the scarce information about the left quadrate, we tentatively refer this bone to cf. Mantellisaurus atherfieldensis. Furthermore, new evidence of these Hadrosauriformes in the Iberian Peninsula corroborates the great similarity between the Barremian–early Aptian dinosaur faunas in British, Belgium and Iberian records.