domingo, 12 de janeiro de 2014

Nova página da Sociedade de História Natural na Internet

A Sociedade de História Natural tem o prazer de anunciar a nova página na Internet

www.shn.pt

The Sociedade de História Natural has a new web site:
www.shn.pt
 visit us at the new address.


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Nota de imprensa apresentada na apresentação publica de Hylaeochelis kappa



Apresentámos ontem, dia 11 de Janeiro, no Museu Municipal Leonel Trindade (Torres Vedras), e onde se encontra em exibição a nossa exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", a nova tartaruga fóssil da Colecção Paleontológica da Sociedade de História Natural: Hylaeochelis kappa.


Deixamos aqui a nota de imprensa e umas imagens.


Reconstrução de Hylaeochelis kappa (autor: Carlos de
Miguel Chaves)
Apesar de serem menos populares, as tartarugas são um componente habitual nas jazidas com fósseis de dinossauros e em muitas ocasiões resultam tão úteis como estes
para compreender como foram os ecossistemas de há milhões de anos.
O exemplar, que vai ser publicado na revista ComptesRendusPalevol, da Academia de Ciências francesa, está composto por grande parte da carapaça encontrada na praia de Porto do Barril, em Mafra, já nos seus limites com o concelho de Torres Vedras (Portugal). Este fóssil pertence à Colecção Paleontológica do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de Historia Natural (Torres Vedras) e foi recolhido em 2011 por José Joaquim dos Santos, um colaborador habitual desta instituição, e que durante 20 anos terá reunido um importante espólio paleontológico, entretanto adquirido pela Câmara Municipal de Torres Vedras e depositado na Sociedade de História Natural, como resultado de um protocolo de cooperação para a gestão do património paleontológico.

A análise do fóssil permitiu reconhecer que se trata de uma tartaruga de água doce, e
pertencente a um género até agora exclusivamente conhecido na Grã Bretanha, a partir
de fósseis que datam do Cretácico Inferior. Hylaeochelys kappa foi uma tartaruga que
atingiria cerca de meio metro, caracterizada por possuir uma carapaça arredondada e
muito baixa, o que permite identifica-la como um organismo de hábitos nadadores. O
exemplar português viveu há pouco mais de 145 milhões de anos e constitui, portanto, o
representante mais antigo do género e o único conhecido até ao momento no Jurássico.

Denominou-se de “kappa” esta espécie, como referencia a uma figura mitológica
japonesa com aspecto de tartaruga, os “kappas”, que parecem tomar esse nome da
vestimenta dos monges portugueses que chegaram ao Japão no século XVI, e aos que se
assemelhariam por apresentar uma espécie de tonsura.

Hylaeochelys kappa é uma forma primitiva do grupo a que pertencem a maior parte das
tartarugas actuais, ou seja, as criptodiras. Este grupo engloba a quase todas as tartarugas
de água doce, as tartarugas de carapaça mole, as terrestres e as marinhas. Durante o
Jurássico Superior deu-se a abertura do Atlântico norte e a Europa começou a ter uma
fauna diferenciada da de América do Norte. Posteriormente, durante o Cretácico, ocorre
uma profunda transformação das faunas de vertebrados, que conduz à substituição da
maior parte dos grupos antigos e a instalação de muitas linhagens novas. Assim, durante
o Jurássico, são abundantes os representantes de alguns grupos de tartarugas
exclusivamente europeias, como os plesioquélidos, que desapareceram no final deste
período. Da mesma maneira, as tartarugas cretácicas europeias não apresentavam até
agora parentes directos no Jurássico e, portanto, não se conhecia nenhum género de
Apresentação pública
tartarugas europeias que atravessasse esta fronteira temporal. À luz deste achado,sabemos agora que pelo menos Hylaeochelys já existia no Jurássico. Tudo parece indicar que alguns géneros de répteis Jurássicos europeus de água doce, como Hylaeochelys, mas também crocodilos, conseguem sobreviver, alcançando o Cretácico
com menos dificuldade que os seus parentes marinhos. Pode-se interpretar que alguns ecossistemas continentais nesse momento puderam ter mais estabilidade que os
Adán Pérez Garcia (SHN/UCM), Dr. Carlos Miguel
 (Presidente da CMTV), Francisco Ortega (SHN/UNED),
Bruno Camilo Silva (Presidente da SHN)
ambientes costeiros, os quais se viram submetidos a importantes câmbios no nível do mar, no final do Jurássico, afectando drasticamente as suas populações de répteis. A fauna de vertebrados que habitou no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica está constituída fundamentalmente por dinossauros e crocodilos, dos quais se conhece uma relativa diversidade, que serve como um excelente exemplo dos ecossistemas da Península Ibérica, de há mais de 145 milhões de anos. Os fósseis de tartarugas são muito abundantes nos sedimentos desta idade na Bacia Lusitanica, e sabe-se que a sua diversidade poderia estar composta por mais de meia dúzia de formas, mas que até agora apenas duas eram reconhecidas com precisão ao nível da espécie.

Este novo achado realiza-se no contexto da análise da fauna de vertebrados do Jurássico
Superior da Bacia Lusitânica, que se desenrola desde há uns anos no âmbito do
Laboratório de Paleontologia e Paleocologia da Sociedade de Historia Natural (Torres
Vedras) e do qual fazem parte investigadores portugueses e espanhóis.

A referência ao manuscrito é :Pérez-García, A., & Ortega, F. A new species of the
turtle Hylaeochelys (Eucryptodira) outside its known geographic and stratigraphic
ranges of distribution. ComptesRendusPalevol. doi:10.1016/j.crpv.2013.10.009.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Apresentação pública da tartaruga fóssil Hylaeochelys kappa

A Sociedade de História Natural, a Universidad Complutense de Madrid e o Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Madrid), têm o prazer de anunciar que se irá realizar uma apresentação pública de uma nova espécie de tartaruga fóssil do Jurássico Superior de Portugal, até então desconhecida para a ciência, e que aporta novas e importantes informações sobre a biogeografia deste grupo de animais durante aquele período geológico e o seguinte (Cretácico).

A apresentação pública terá lugar no dia 11 de Janeiro, pelas 18h no Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras, e contará com uma conferencia de imprensa dada pelos investigadores responsáveis pelo estudo científico, e ainda com a presença do Sr. Presidente da Câmara Municipal. Esta nova espécie de tartaruga pertence à Coleção Paleontológica da Sociedade de História Natural, e foi colectada pelo Sr. José Joaquim dos Santos, um aficionado da paleontologia, que durante 20 anos reuniu uma grande colecção e que foi adquirida pela Câmara Municipal de Torres Vedras e integrada na Coleção da Sociedade de História Natural.

Sobre a etimologia do nome Hylaeochelys kappa, poderá ser revista aqui.

A Comunicação Social está, por isso, convidada a comparecer.

Aguardamos a Vossa presença.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mitologia japonesa e a nova tartaruga fóssil do Jurássico Superior de Portugal. Uma relação improvável?

Representação, de meados do Séc. XIX, de vários tipos de Kappas
São muitos os seres "atartarugados" que formam parte da mitologia e ficção de diversas culturas. Provavelmente muitos dos nossos leitores conheçam a Gameira, a tartaruga gigante voadora que rivalizou com Godzilla no cinema japonês. No entanto, a cultura japonesa conta com outro personagem “atartarugado”, protagonista de muitas histórias do folclore desse país. Trata-se, nada mais, nada menos, dos Kappas. Mas, que demónios são os Kappas?

Os kappas são umas criaturas travessas e geralmente maléficas, de especto humanoide, cobertas de escamas, com cabeça que recorda a de uma tartaruga e com uma espécie de couraça dorsal, muitas vezes representada como uma carapaça deste grupo de repteis. 
Kappas saciando o seu apetite
Um aspeto curioso destes seres de água doce é a presença de uma cavidade no centro da cabeça, rodeada de pelo, que recorda a calva que têm certas ordens de religiosos católicos… Esta está preenchida por um fluido aquoso especial, do qual deriva a sua grande energia. Esta região é justamente o ponto fraco dos kappas: a perda desse líquido deixa-os sem poderes, o que os leva à morte.

Mas que pepinos (sendo que este vegetal é para os kappas um dos poucos manjares mais suculentos que meninos humanos) têm que ver estes seres com Portugal? Pois bem, a origem desse nobre é considerado como uma transliteração da palavra portuguesa “capa”, um termo empregue para denominar a treliça de vestir que os monges portugueses que chegaram ao Japão no Séc. XVI levavam às costas. A cabeça rapada destes monges e as suas costas cobertas por esta estranha indumentária deve ter surpreendido muito os habitantes Japoneses.
Os Kappas, fazendo das suas
Carapaça, em vistas dorsal e ventral,
do holótipo do novo táxon (SHN.LPP 172
)
Agora que já sabemos o que é um kappa, e como se relaciona com Portugal, passamos a apresentar, de maneira preliminar, o novo táxon recém descrito no registo fóssil português. Acaba de ser publicado, na versão on line da revista científica Comptes Rendus Palevol, um artígo no qual se descreve uma nova espécie de tartaruga do Jurássico Superior: Hylaeochelys kappa, e proveniente da Colecção Paleontológica  da Sociedade de História Natural. O registo de tartarugas do Jurássico da Bacia Lusitânica é tido como relativamente diverso, destacando os membros de Paracryptodira (como a tartaruga aqui descrita Selenemys lusitânica, igualmente da colecção da SHN), assim como vários representantes do grupo de eucryptodiras basais Plesiochelyidae. A nova tartaruga, que aumenta ainda mais este registro, também se trata de um representante basal de Eucryptodira, mas não atribuível a Plesiochelyidae, mas sim a Hylaeochelys. O género Hylaeochelys era, até agora, unicamente conhecido no Cretácico Inferior de Inglaterra, onde estava representado por uma única espécie. A descrição da nova Hylaeochelys kappa não só compreende o primeiro achado confirmado de Hylaeochelys fora do registo britânico, senão que representa o único género de Eucryptodira europeia com una distribuição que abarca tanto níveis do Jurássico como do Cretácico.
Adán Pérez-Garcia (Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da SHN/ Universidad Complutense de Madrid), numa das etapas finais de preparação do holótipo de Hylaeochelys kappa.

Dado que o artigo ainda está "no prelo" serve este post como nota de boas vindas a Hylaeochelys kappa. Em breve se ampliará a informação e será apresentado publicamente o exemplar….Aguardemos por Janeiro!
Referencia: Adán Pérez-García; Francisco Ortega. In press. A new species of the turtle Hylaeochelys (Eucryptodira) outside its known geographic and stratigraphic ranges of distribution. Comptes Rendus Palevol. http://dx.doi.org/10.1016/j.crpv.2013.10.009

Este estudo foi apoiado parcialmente pela Câmara Municipal de Torres Vedras e empresa Ângelo Custódio Rodrigues S.A

sábado, 14 de dezembro de 2013

Conferencia do nosso colega Pedro Mocho, no Museo Nacional de Ciencias Naturales (Madrid) "Los Gigantes del Jurásico Superior Ibérico: Lo que sabemos hoy en día"



No próximo dia 17 de Dezembro, o investigador português, da Sociedade de História Natural e Universidad Autónoma de Madrid, Pedro Mocho, irá apresentar uma conferência no âmbito do centenário da réplica de Dippy do Museo Nacional de Ciencias Naturales em Madrid. Esta é uma das réplicas originais do Diplocus exposto no Carnigie Museum (Estados Unidos da América).


Esta conferência entitulada de "Los Gigantes del Jurásico Superior Ibérico: Lo que sabemos hoy en día", que em português seria "Os gigantes do Jurássico Superior Ibérico: O que sabemos hoje", tem como objectivo explorar o mundo dos dinossáurios saurópodes do Jurássico Superior Ibérico, com uma perspectiva integrada entre as primeiras e últimas descobertas em território peninsular, passando pelos nossos bem conhecidos saurópodes portugueses como Dinheirosaurus, Lusotitan, Lourinhasaurus, e algumas pequenas surpresas. 

Deixamos uma tradução do resumo, originalmente em espanhol. 

"Desde do século XIX, os saurópodes são parte integrante do conhecimento existente sobre as faunas de vertebrados mesozóicos da Península Ibérica. Neste território, os restos de saurópodes são particularmente abundantes nos sedimentos do Jurássico Superior. Nas últimas décadas assistimos a uma impressionante revolução na compreensão de estes "gigantes" da Península. Nesta segunda comunicação apresentada com motivo do centenário de Dippy, será apresentado um breve resumo sobre as descobertas ibéricas de estes animais pretéritos, contemporâneos dos conhecidos saurópodes como os norteamericanos Diplodocus, Camarasaurus e Brachiosaurus e o africano Giraffatitan."

"Desde del siglo XIX, los saurópodos son parte integrante del conocimiento existente sobre las faunas de vertebrados mesozoicos de la Península Ibérica. En este territorio, los restos de saurópodos son particularmente abundantes en los sedimentos del Jurásico Superior. En las últimas décadas hemos asistido a una impresionante revolución en la comprensión de estos “gigantes” de la Península. En esta segunda comunicación presentada con motivo del centenario de Dippy, se presentará una breve reseña sobre los hallazgos ibéricos de estos animales pretéritos, contemporáneos de conocidos sauropodos como los norteamericanos Diplodocus, Camarasaurus y Brachiosaurus o el africano Giraffatitan." 

Para mais informações, consulte o seguinte site:
http://www.sam.mncn.csic.es/conferencias1.php?idconferencia=197