quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nova informação sobre o dinossauro carnívoro Ceratosaurus do Jurássico Superior de Portugal

A revista Historical Biology apresenta hoje um novo estudo sobre os grandes dinossauros carnívoros que viveram em Portugal há cerca de 140 milhões de anos.
Apesar de estar já documentada a presença em Portugal de dinossauros típicos do Jurássico Superior norte-americano, incluindo Allosaurus, Torvosaurus e Ceratosaurus, o seu conhecimento aumentou significativamente nos últimos anos. 
 Elisabete Malafaia, uma das autoras do artigo, durante
os trabalhos de investigação no
Laboratório de Paleontologia da
Sociedade de História Natural em Torres Vedras.
Por exemplo, a presença de um dinossauro terópode estreitamente relacionado ao género Ceratosaurus do oeste dos Estados Unidos, tinha sido previamente proposta com base em escassos elementos de um único indivíduo, descrito no ano 2000 e alguns dentes isolados. Recentemente, na sequência da revisão das colecções de paleontologia da Sociedade de História Natural (SHN), em Torres Vedras, foram encontrados novos restos que podem ser atribuídos a este dinossauro carnívoro. Os restos agora reconhecidos foram recolhidos na praia de Valmitão (Lourinhã) e faziam parte de uma colecção particular, recentemente entregue à tutela da SHN. O decorrer deste estudo, liderado pela investigadora da SHN e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Elisabete Malafaia, permitiu verificar que os exemplares são provenientes da mesma localidade que o conjunto de fósseis identificado no ano 2000 a Ceratosaurus. Para além disso, ao medir detalhadamente os ossos agora encontrados, verificou-se que têm dimensões e morfologias muito semelhantes às do indivíduo previamente descrito. Isto levou a pensar que ambos exemplares poderão pertencer ao mesmo animal. Assim, este estudo permitiu relacionar duas partes do mesmo dinossauro, recolhidas na mesma localidade mas em diferentes momentos e depositados em distintas instituições.
No seu conjunto, o exemplar previamente descrito e o material agora identificado, constituem o registo mais completo de ceratossáurios na Península Ibérica e o mais completo registo do género Ceratosaurus fora da América do Norte. Assim, os fósseis portugueses acrescentam informação importante para o conhecimento da evolução paleobiogeográfica deste grupo de terópodes e para testar de que forma essa evolução foi afectada pela abertura do Atlântico Norte. O estudo agora publicado constitui uma nova evidências de que a distribuição de Ceratosaurus se estendeu para além do território que corresponde actualmente à América do Norte até à Europa. Previamente, foram notadas algumas diferenças entre os exemplares portugueses e as formas norte-americanas de Ceratosaurus que deverão ser reavaliadas quando se descobrir novo material.

Elementos apendiculares (fémur e tíbia)
identificados a 
Ceratosaurus e
descritos no trabalho. 
Nas últimas décadas, tem-se vindo a reconhecer uma grande similaridade, em determinados grupos de dinossauros, entre a Formação de Morrison, no oeste da América do Norte e Portugal, resultante, provavelmente, de um cenário de separação (vicariância) incipiente das populações de vertebrados em ambos os continentes, provocada pela relativamente recente abertura do sector norte do Atlântico. Estes processos de vicariância poderão ter-se manifestado de diferentes formas em distintos grupos de organismos, justificando a combinação de formas partilhadas e endémicas actualmente conhecida no registo do Jurássico Superior português.
Este estudo foi desenvolvido por investigadores de diferentes instituições que formamo grupo de investigação da Sociedade de História Natural de Torres Vedras e que envolvem a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Grupo de Biología Evolutiva da UNED de Madrid.

Aqui fica o link para o artigo: http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2014.915820?queryID=%24%7BresultBean.queryID%7D&#.U2vOp5BDs5I


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Programa de Voluntariado na SHN/Paleo Volunteering in the Sociedade de História Natural

A Sociedade de História Natural aceita voluntários para o Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia e outros departamentos da SHN. O Programa está aberto o ano inteiro. Não sabes o que fazer nas férias mas gostas de Paleontologia e Geologia? Entra em contacto connosco!


Se gostas de paleontologia, e queres trabalhar de perto com paleontólogos e assim aprender muito do que se faz nesta área da ciência, inscreve-te!

O Programa de Voluntariado funciona nos períodos de férias, mas está aberto também durante todo o ano. Basta enviares o teu CV (os candidatos a voluntários do ensino secundário estão dispensados do envio do CV) e uma carta de motivação, para que possamos proceder a uma avaliação. 

O Programa de Voluntariado está aberto para idades a partir dos 16 anos, sem limite de idade. Os menores de idade deverão trazer autorização do e do encarregado de Educação. 
Saibam mais em www.shn.pt ou atrés do email: laboratorio@alt-shn.org.




The Laboratory of Paleontology and Paleoecology of the Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) accepts volunteers for paleontological excavations , fossil preparation and conservation. If you like paleontology, and want to work closely with paleontologists and learn much more about this area of science, sign up!
The Volunteer Program works during holiday periods, but is also open throughout the year. Just send us your CV and a letter of motivation, so we can give an assessment.The Volunteer Program is open to ages from 18 years with no age limit.
Foreign applicants should seek in their countries of origin for financial aid programs. EU citizens can learn about volunteer programs within Europe.For more information or questions, visit us at www.shn.pt or send a email to: laboratorio@alt-shn.org



sábado, 3 de maio de 2014

A História da SHN em imagens! Requerem-se contribuições!


A Sociedade de História Natural está a organizar um álbum de fotografias que visem reconstituir, através de um registo de imagens, a nossa história. Apelamos a todos os que tenham participado nas nossas actividades ao longo dos últimos 17 anos para que enviem para o email geral@alt-shn.org fotografias ou outros elementos para colocarmos na nossa página do Facebook


Em nome da Direcção, Muito obrigado!!!!






Sítio paleontológico MOÇ001 (Torres Vedras)_cintura pélvica do dinossauro Dacentrurus. Escavação de Salvamento. Outubro 1995.
Paleontological site MOÇ001 (Torres Vedras)_pelvic girdle of the stegosaurid Dinosaur Dacentrurus. Rescue excavation. October 1995
.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Distribuição estratigáfica e paleobiogeográfica de Turiasauria (Dinosauria: Sauropoda) na Mid-Mesozoic Conference (Colorado&Utah)


Hoje, dia 1 de Maio, apresentamos no Dinosaur Journey Museum em Fruita (Colorado, Estados Unidos) no decorrer do congreso Mid-Mesozoic Conference a seguinte comunicação: "Geographic and stratigraphic distribution of the sauropod Turiasaurus and Turiasauria clade". Num estudo liderado pela Fundación Conjunto Paleotológico de Teruel - Dinópolis, conta ainda com a participação de investigadores da Sociedade de História Natural, os paleontólogos Pedro Mocho e Francisco Ortega. Neste trabalho, a distribuição paleobiogeográfica de Turiasauria (grupo de saurópodes mais primitivo que formas tão conhecidas como Diplodocus ou Camarasaurus) é colocada em evidência com o registo ibérico existente. Como é conhecido, existem diversas evidências de membros deste grupo em Portugal, com especial incidência nos conselhos de Peniche, Torres Vedras e Lourinhã, com destaque para uma pata anterior encontrada em Vale de Pombas e vários dentes descobertos ao longo da região costeira entre Porto da Calada e Salir do Porto. Deixamos aqui o resumo:

Dentes de Turiasauria encontrados na Bacia Lusitânica (Portugal) e incorporados na colecção paleontológica da Sociedade de História Natural

GEOGRAPHIC AND STRATIGRAPHIC DISTRIBUTION OF THE SAUROPOD TURIASAURUS AND TURIASAURIA CLADE
Rafael Royo-Torres, Alberto Cobos, Francisco Gascó, Pedro Mocho, Francisco Ortega, Luis Alcalá.
"Turiasauria clade represents a distinct group of non-neosauropods with a wide geographic distribution across Europe and probably Africa during the Middle-Late Jurassic. This clade is known thanks to the study of the sauropod dinosaur Turiasaurus riodevensis Royo-Torres, Cobos & Alcalá, 2006. It was discovered in 2003 in Riodeva, (Teruel province, South of Iberian Range, Spain). Turiasaurus is defined by the representative cranial and postcranial remains found in its type-locality: skull, mandible, eight teeth, six cervical vertebrae with ribs, four dorsal vertebrae, eight dorsal ribs, the sacrum, two distal caudal vertebrae, a proximal fragment of the left scapula, a left sternal, a complete left forelimb, fragments of ilium and ischium, a left pubis, a distal fragment of the left femur, a proximal and a distal fragments of the left tibia, a left fibula, two astragali and a pes. In addition, Riodeva area has yielded 3 other specimens of turiasaur sauropods. From one of them, the San Lorenzo specimen, there are cranial and postcranial remains, which are currently being studied. All the sites with turiasaur remains are placed in the Villar del Arzobispo Formation (dated Upper Kimmeridgian-Berriasian). Aside from the specimens of Riodeva, we tentatively assign materials from other localities to Turiasauria clade. Phylogenetic analyses support the attribution to Turiasauria of three sauropods: one from the Middle Jurassic of Beni Mellal (Moroco), Atlasaurus imelakei, and two species from the Upper Jurassic of Spain, Galveosaurus herreroi from Galve (Teruel) and Losillasaurus giganteus from Losilla (Valencia). Besides these taxa, and according to some synapomorphies, different specimens have been considered like potential turiasaurs. Turiasaurus possess characteristic ‘heart’-shaped teeth in labial profile with their apex labiolingually compressed, and with an asymmetrical shape produced by a concave distal margin near the apex even when unworn. This type of teeth allows the inclusion in Turiasauria of the Middle Jurassic of England tooth referred to Cardiodon, the Middle Jurassic of Peterborough (England) teeth assigned to “Cetiosauriscus leedsi”, four teeth from the Upper Jurassic of Aylesbury (England) assigned previously to “Hoplosaurus” and “Pelorosaurus”, some teeth from the Upper Jurassic of Asturias (Spain), and the teeth assigned to “Neosodon” in France. In Portugal, more than 26 Oxfordian-Tithonian teeth have been included in Turiasauria. Some of them are associated to an articulated forelimb and chevrons from the Lourinha Formation of Portugal. In Africa in addition to Atlasaurus, some of the postcranial material from Tendaguru beds (Kimmeridgian-Tithonian) in Tanzania has also been referred to Turiasauria, i.e. the caudal series of the specimen MB.R. 2091.1-30 and the right manus MB.R. 2093.1-12 (Museum für Naturkunde in Berlin). Thus, at present, Turiasauria is proposed as a distinct clade of sauropods that diverged, prior to the Middle Jurassic, from the lineage leading to neosauropods and which spread across Europe and Africa during the Late Jurassic. Turiasaurus represents a very large sauropod (over 25 m in length), suggesting that gigantic body sizes were achieved not only by neosauropod clades, such as Diplodocidae and Titanosauriformes, but also by non-neosauropods."
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Referência:

quarta-feira, 19 de março de 2014

Projecto Bússola

No âmbito do Projecto Bússola estão agendadas duas acções de formação, a desenvolver pelo Departamento de Informação Geográfica da SHN:

  • Conhecer os mapas: iniciação à cartografia - 4h
  • Mapear a minha terra: Open Street Map - 8h
Vão ser realizadas na Junta de Freguesia de Ponte do Rol nos dias 3 e 10 de Maio.

As inscrições estão abertas na sede da própria junta, inscreva-se já!

domingo, 2 de março de 2014

Apresentação da Sociedade de História Natural a professores e educadores

Participem e/ou divulguem:

Caro professor,


Venha conhecer o trabalho desenvolvido nos últimos 15 anos pela Sociedade de História Natural (Torres Vedras). Deixe-se guiar pela exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", patente no Museu Municipal Leonel Trindade e venha também conhecer o Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia, departamento responsável pela investigação e gestão do património paleontológico. Colocamos ao seu dispor um conjunto de atividades pedagógicas, workshops e formações que podem ser adaptadas a qualquer público-alvo. Estamos disponíveis para marcar um encontro consigo aos sábados, às 10 horas. Indique-nos a sua preferência: 8, 15 ou 22 de Março. Inscreva-se através do link: http://bit.ly/MTxJci.





Entretanto aproveite para explorar o nosso site www.shn.pt.






Ponto de Encontro:


Museu Municipal Leonel Trindade


Praça 25 Abril, Convento de Nossa Senhora da Graça


2560-286 Torres Vedras

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Portuguese and Spanish researchers from the SHN 'reinterpret' a classic sauropod dinosaur from Portugal

Copyright Ivan Gromicho/SHN
Despite being one of the first species of dinosaur to be described in Portugal , the classification of sauropod Lourinhasaurus was contested in recent years . Discovered in 1949, it is a standard reference on European sauropod dinosaurs literature since its publication in the 50s. Recently, a team of Portuguese and Spanish paleontologists, lead by Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) researchers Pedro Mocho and Francisco Ortega, reviewed the fossil Lourinhasaurus alenquerensis deposited in the Geological Museum of Lisbon.

 Discovered in 1949, it is a standard reference on European sauropod dinosaurs literature since its publication in the 50s. Recently, a team of Portuguese and Spanish paleontologists, lead by Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) researchers Pedro Mocho and Francisco Ortega, reviewed the fossil Lourinhasaurus alenquerensis deposited in the Geological Museum of Lisbon.
Since the 50s, the big showy femur exposed in the rooms of the Geological Museum Lourinhasaurus received thousands of visitors, but to date, neither the public nor the researchers had a clear idea about what group of sauropods this specimen belong to. It was found in 1949 in the field near Moinho do Carmo ( Alenquer, Portugal ) and first studied by Albert Lapparent and George Zbyszewski in 1957 .
A team of Portuguese and Spanish researchers , from the Laboratory of Paleontology and Paleoecology of the Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal ) and the Universidad Nacional de Educación a Distancia ( UNED), carried out a thorough review of the remains of Lourinhasaurus alenquerensis and concluded that this dinosaur is a European representative of the same group as the North American Camarasaurus dinosaur known .
" The Lourinhasaurus sauropod found in Moinho do Carmo is one of the classics of European dinosaurs fossil record, and there where proposed quite divergent classifications for it, reaching a point that we did not know what their true phylogenetic position , and is relationship with other sauropod dinosaurs. This is problematic at the time when we build our interpretations about paleobiogeography " said Portuguese Pedro Mocho, lead author of the study published in the Zoological Journal of the Linnean Society, and also a researcher of the Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) and in the Universidad Autónoma de Madrid (were he is a Phd candidate).
This dinosaur lived in the Iberian Peninsula in the Upper Jurassic , 150 million years ago . With the appearance of a typical sauropod: Long neck and tail, small head and four sturdy legs , could weigh up to 10 tonnes and measuring 15 meters , very similar to the famous Diplodocus and Brachiosaurus physically.
 .
Systematic Review

Researchers from the Sociedade de História Natural and the UNED, which counted with the collaboration of expert Rafael Royo - Torres from the Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis , reviewed in depth all the elements that were extracted in the excavation of the Moinho do Carmo and that are today deposited in the Geological Museum of Lisbon.

"These remains are very numerous, constituting one of the most complete European sauropods " refers Rafael Royo - Torres. This review led to reinterpret some of their bony elements and thereby realize its phylogenetic position. " The most interesting was that we were able to find nowadays a number of former remains of Lourinhasaurus never before described in the extensive collections of the Geological Museum in Lisbon. Several weeks were required to review all the boxes with leftovers of Lourinhasaurus and we can now reveal it to the scientific community . The collections of the Geological Museum remain a mine of knowledge for all of us to explore", believes Pedro Mocho.
"The specimen was described in the '50s with the name Apatosaurus alenquerensis (a diplodocíd sauropod). In 1998 we published a preliminary review and realized that it did not belong to the North American genus Apatosaurus and established a new genus named Lourinhasaurus " explains Francisco Ortega, a researcher from Evolutionary Biology Group at UNED and also from the Laboratory of Paleontology and Paleoecology from the Sociedade de História Natural, and co-author. " Since then, some authors suggested the possibility of a European camarasaurid, but without performing a detailed systematic review ".
The deposits of fossil vertebrates from the Portuguese central coast are a key to the interpretation of peninsular ecosystems during the Upper Jurassic . The close relationship of Lourinhasaurus with North American genus Camarasaurus continues to add information on the process of continental separation of Europe and America!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lourinhasaurus alenquerensis: o retorno do Rei!

Muito poderíamos escrever sobre este dinossauro e muitas palavras fluiram nos últimos meses sobre as numerosas horas perdidas procurando a identidade desconhecida (ou quase) de Lourinhasaurus alenquerensis, um dos saurópodes mais "problemáticos" do registo fóssil português. Por isso, hoje tentaremos dar novas respostas e, por sua vez, abrir novas questões com a revisão deste taxon. 


Lourinhasaurus alenquerensis foi achado em Alenquer (Portugal) pelo geólogo norte-americano Harold Weston Robbins. Em 1957, este saurópode foi publicado por Albert de Lapparent e Georges Zbyszewski como uma nova espécie de Apatosaurus: Apatosaurus alenquerensis. Após esta publicação já se disseram muitas coisas sobre este material, mas muito pouco sobre a sua verdadeira identidade.  
Da esquerda para a direita, Rafael Royo-Torres (FCPT-Dinópolis),
 José Joaquim dos Santos
(SHN), Pedro Mocho (SHN/UAM) e Francisco Ortega (UNED/SHN),
no Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da SHN (Março de 2010).
 Em 1998, o estudo de material clássico e uma nova descoberta em Porto Dinheiro (Lourinhã), possibilitou a Pedro Dantas (Sociedade de História Natural e MNHN/UL) e colaboradores definir um novo género,  Lourinhasaurus. No entanto, um ano depois, uma nova análise por parte de José Bonaparte e Octávio Mateus revelou que o material descoberto em Porto Dinheiro tinha características morfológicas distintas do saurópode de Alenquer, permitindo a definição do primeiro saurópode diplodocídeo europeu: Dinheirosaurus lourinhanensis. 

Ísquios de Lourinhasaurus alenquerensis
Depois deste último trabalho, pouco mais se fez em relação a este taxon, e o saurópode do Moinho do Carmo ficou esquecido como um saurópode problemático. Numa investigação conjunta que conta com a participação da Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal), Universidad Autónoma de Madrid (Espanha),  o Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Madrid, Espanha) e a Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis (Espanha), publica-se hoje (20-02-2014) um trabalho da autoria de Pedro Lopes Mocho, Rafael Royo-Torres e Franscisco Ortega, que é um novo esforço para compreender o saurópode mais completo do Jurássico Superior Português. Incorporando Lourinhasaurus numa ampla análise filogenética de saurópodes, concluiu-se que este dinossauro pode ser atribuído ao grupo Camarasauromorpha. Para Além da sua posição como camarasauromorfo basal, este estudo suporta a existência de Camarasauridae como um grupo monofilético, composto por Lourinhasaurus, Camarasaurus e Tehuelchesaurus
Fémur de Lourinhasaurus alenquerensis
(Museu Geológico e Mineiro, Lisboa)
A revisão do material clássico da jazida de Moinho do Carmo, depositado noMuseu Geológico de Lisboa, ao que se juntou a descrição de material inédito, permitiu recompilar dados importantes para esta reavaliação sistemática, e dar um passo mais em direcção a uma melhor compreensão dos saurópodes do Jurássico Superior. Não obstante, futuras análises provarão a robustez destes resultados e incrementarão todavia mais  informação sobre este saurópode, o primeiro camarasauroídeo identificado na Europa. Este novo trabalho foi publicado na revista científica Zoological Journal of the Linnean Society.




Para mais informação:
Referencia: Mocho, P.; Royo-Torres, R.; Ortega, F. (2014). Phylogenetic reassessment of Lourinhasaurus alenquerensis, a basal Macronaria (Sauropoda) from the Upper Jurassic of Portugal. Zoological Journal of Linnean Society. DOI: 10.1111/zoj.12113


domingo, 12 de janeiro de 2014

Nova página da Sociedade de História Natural na Internet

A Sociedade de História Natural tem o prazer de anunciar a nova página na Internet

www.shn.pt

The Sociedade de História Natural has a new web site:
www.shn.pt
 visit us at the new address.


Visite-nos!












Nota de imprensa apresentada na apresentação publica de Hylaeochelis kappa



Apresentámos ontem, dia 11 de Janeiro, no Museu Municipal Leonel Trindade (Torres Vedras), e onde se encontra em exibição a nossa exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", a nova tartaruga fóssil da Colecção Paleontológica da Sociedade de História Natural: Hylaeochelis kappa.


Deixamos aqui a nota de imprensa e umas imagens.


Reconstrução de Hylaeochelis kappa (autor: Carlos de
Miguel Chaves)
Apesar de serem menos populares, as tartarugas são um componente habitual nas jazidas com fósseis de dinossauros e em muitas ocasiões resultam tão úteis como estes
para compreender como foram os ecossistemas de há milhões de anos.
O exemplar, que vai ser publicado na revista ComptesRendusPalevol, da Academia de Ciências francesa, está composto por grande parte da carapaça encontrada na praia de Porto do Barril, em Mafra, já nos seus limites com o concelho de Torres Vedras (Portugal). Este fóssil pertence à Colecção Paleontológica do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de Historia Natural (Torres Vedras) e foi recolhido em 2011 por José Joaquim dos Santos, um colaborador habitual desta instituição, e que durante 20 anos terá reunido um importante espólio paleontológico, entretanto adquirido pela Câmara Municipal de Torres Vedras e depositado na Sociedade de História Natural, como resultado de um protocolo de cooperação para a gestão do património paleontológico.

A análise do fóssil permitiu reconhecer que se trata de uma tartaruga de água doce, e
pertencente a um género até agora exclusivamente conhecido na Grã Bretanha, a partir
de fósseis que datam do Cretácico Inferior. Hylaeochelys kappa foi uma tartaruga que
atingiria cerca de meio metro, caracterizada por possuir uma carapaça arredondada e
muito baixa, o que permite identifica-la como um organismo de hábitos nadadores. O
exemplar português viveu há pouco mais de 145 milhões de anos e constitui, portanto, o
representante mais antigo do género e o único conhecido até ao momento no Jurássico.

Denominou-se de “kappa” esta espécie, como referencia a uma figura mitológica
japonesa com aspecto de tartaruga, os “kappas”, que parecem tomar esse nome da
vestimenta dos monges portugueses que chegaram ao Japão no século XVI, e aos que se
assemelhariam por apresentar uma espécie de tonsura.

Hylaeochelys kappa é uma forma primitiva do grupo a que pertencem a maior parte das
tartarugas actuais, ou seja, as criptodiras. Este grupo engloba a quase todas as tartarugas
de água doce, as tartarugas de carapaça mole, as terrestres e as marinhas. Durante o
Jurássico Superior deu-se a abertura do Atlântico norte e a Europa começou a ter uma
fauna diferenciada da de América do Norte. Posteriormente, durante o Cretácico, ocorre
uma profunda transformação das faunas de vertebrados, que conduz à substituição da
maior parte dos grupos antigos e a instalação de muitas linhagens novas. Assim, durante
o Jurássico, são abundantes os representantes de alguns grupos de tartarugas
exclusivamente europeias, como os plesioquélidos, que desapareceram no final deste
período. Da mesma maneira, as tartarugas cretácicas europeias não apresentavam até
agora parentes directos no Jurássico e, portanto, não se conhecia nenhum género de
Apresentação pública
tartarugas europeias que atravessasse esta fronteira temporal. À luz deste achado,sabemos agora que pelo menos Hylaeochelys já existia no Jurássico. Tudo parece indicar que alguns géneros de répteis Jurássicos europeus de água doce, como Hylaeochelys, mas também crocodilos, conseguem sobreviver, alcançando o Cretácico
com menos dificuldade que os seus parentes marinhos. Pode-se interpretar que alguns ecossistemas continentais nesse momento puderam ter mais estabilidade que os
Adán Pérez Garcia (SHN/UCM), Dr. Carlos Miguel
 (Presidente da CMTV), Francisco Ortega (SHN/UNED),
Bruno Camilo Silva (Presidente da SHN)
ambientes costeiros, os quais se viram submetidos a importantes câmbios no nível do mar, no final do Jurássico, afectando drasticamente as suas populações de répteis. A fauna de vertebrados que habitou no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica está constituída fundamentalmente por dinossauros e crocodilos, dos quais se conhece uma relativa diversidade, que serve como um excelente exemplo dos ecossistemas da Península Ibérica, de há mais de 145 milhões de anos. Os fósseis de tartarugas são muito abundantes nos sedimentos desta idade na Bacia Lusitanica, e sabe-se que a sua diversidade poderia estar composta por mais de meia dúzia de formas, mas que até agora apenas duas eram reconhecidas com precisão ao nível da espécie.

Este novo achado realiza-se no contexto da análise da fauna de vertebrados do Jurássico
Superior da Bacia Lusitânica, que se desenrola desde há uns anos no âmbito do
Laboratório de Paleontologia e Paleocologia da Sociedade de Historia Natural (Torres
Vedras) e do qual fazem parte investigadores portugueses e espanhóis.

A referência ao manuscrito é :Pérez-García, A., & Ortega, F. A new species of the
turtle Hylaeochelys (Eucryptodira) outside its known geographic and stratigraphic
ranges of distribution. ComptesRendusPalevol. doi:10.1016/j.crpv.2013.10.009.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Apresentação pública da tartaruga fóssil Hylaeochelys kappa

A Sociedade de História Natural, a Universidad Complutense de Madrid e o Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Madrid), têm o prazer de anunciar que se irá realizar uma apresentação pública de uma nova espécie de tartaruga fóssil do Jurássico Superior de Portugal, até então desconhecida para a ciência, e que aporta novas e importantes informações sobre a biogeografia deste grupo de animais durante aquele período geológico e o seguinte (Cretácico).

A apresentação pública terá lugar no dia 11 de Janeiro, pelas 18h no Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras, e contará com uma conferencia de imprensa dada pelos investigadores responsáveis pelo estudo científico, e ainda com a presença do Sr. Presidente da Câmara Municipal. Esta nova espécie de tartaruga pertence à Coleção Paleontológica da Sociedade de História Natural, e foi colectada pelo Sr. José Joaquim dos Santos, um aficionado da paleontologia, que durante 20 anos reuniu uma grande colecção e que foi adquirida pela Câmara Municipal de Torres Vedras e integrada na Coleção da Sociedade de História Natural.

Sobre a etimologia do nome Hylaeochelys kappa, poderá ser revista aqui.

A Comunicação Social está, por isso, convidada a comparecer.

Aguardamos a Vossa presença.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Mitologia japonesa e a nova tartaruga fóssil do Jurássico Superior de Portugal. Uma relação improvável?

Representação, de meados do Séc. XIX, de vários tipos de Kappas
São muitos os seres "atartarugados" que formam parte da mitologia e ficção de diversas culturas. Provavelmente muitos dos nossos leitores conheçam a Gameira, a tartaruga gigante voadora que rivalizou com Godzilla no cinema japonês. No entanto, a cultura japonesa conta com outro personagem “atartarugado”, protagonista de muitas histórias do folclore desse país. Trata-se, nada mais, nada menos, dos Kappas. Mas, que demónios são os Kappas?

Os kappas são umas criaturas travessas e geralmente maléficas, de especto humanoide, cobertas de escamas, com cabeça que recorda a de uma tartaruga e com uma espécie de couraça dorsal, muitas vezes representada como uma carapaça deste grupo de repteis. 
Kappas saciando o seu apetite
Um aspeto curioso destes seres de água doce é a presença de uma cavidade no centro da cabeça, rodeada de pelo, que recorda a calva que têm certas ordens de religiosos católicos… Esta está preenchida por um fluido aquoso especial, do qual deriva a sua grande energia. Esta região é justamente o ponto fraco dos kappas: a perda desse líquido deixa-os sem poderes, o que os leva à morte.

Mas que pepinos (sendo que este vegetal é para os kappas um dos poucos manjares mais suculentos que meninos humanos) têm que ver estes seres com Portugal? Pois bem, a origem desse nobre é considerado como uma transliteração da palavra portuguesa “capa”, um termo empregue para denominar a treliça de vestir que os monges portugueses que chegaram ao Japão no Séc. XVI levavam às costas. A cabeça rapada destes monges e as suas costas cobertas por esta estranha indumentária deve ter surpreendido muito os habitantes Japoneses.
Os Kappas, fazendo das suas
Carapaça, em vistas dorsal e ventral,
do holótipo do novo táxon (SHN.LPP 172
)
Agora que já sabemos o que é um kappa, e como se relaciona com Portugal, passamos a apresentar, de maneira preliminar, o novo táxon recém descrito no registo fóssil português. Acaba de ser publicado, na versão on line da revista científica Comptes Rendus Palevol, um artígo no qual se descreve uma nova espécie de tartaruga do Jurássico Superior: Hylaeochelys kappa, e proveniente da Colecção Paleontológica  da Sociedade de História Natural. O registo de tartarugas do Jurássico da Bacia Lusitânica é tido como relativamente diverso, destacando os membros de Paracryptodira (como a tartaruga aqui descrita Selenemys lusitânica, igualmente da colecção da SHN), assim como vários representantes do grupo de eucryptodiras basais Plesiochelyidae. A nova tartaruga, que aumenta ainda mais este registro, também se trata de um representante basal de Eucryptodira, mas não atribuível a Plesiochelyidae, mas sim a Hylaeochelys. O género Hylaeochelys era, até agora, unicamente conhecido no Cretácico Inferior de Inglaterra, onde estava representado por uma única espécie. A descrição da nova Hylaeochelys kappa não só compreende o primeiro achado confirmado de Hylaeochelys fora do registo britânico, senão que representa o único género de Eucryptodira europeia com una distribuição que abarca tanto níveis do Jurássico como do Cretácico.
Adán Pérez-Garcia (Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da SHN/ Universidad Complutense de Madrid), numa das etapas finais de preparação do holótipo de Hylaeochelys kappa.

Dado que o artigo ainda está "no prelo" serve este post como nota de boas vindas a Hylaeochelys kappa. Em breve se ampliará a informação e será apresentado publicamente o exemplar….Aguardemos por Janeiro!
Referencia: Adán Pérez-García; Francisco Ortega. In press. A new species of the turtle Hylaeochelys (Eucryptodira) outside its known geographic and stratigraphic ranges of distribution. Comptes Rendus Palevol. http://dx.doi.org/10.1016/j.crpv.2013.10.009

Este estudo foi apoiado parcialmente pela Câmara Municipal de Torres Vedras e empresa Ângelo Custódio Rodrigues S.A

sábado, 14 de dezembro de 2013

Conferencia do nosso colega Pedro Mocho, no Museo Nacional de Ciencias Naturales (Madrid) "Los Gigantes del Jurásico Superior Ibérico: Lo que sabemos hoy en día"



No próximo dia 17 de Dezembro, o investigador português, da Sociedade de História Natural e Universidad Autónoma de Madrid, Pedro Mocho, irá apresentar uma conferência no âmbito do centenário da réplica de Dippy do Museo Nacional de Ciencias Naturales em Madrid. Esta é uma das réplicas originais do Diplocus exposto no Carnigie Museum (Estados Unidos da América).


Esta conferência entitulada de "Los Gigantes del Jurásico Superior Ibérico: Lo que sabemos hoy en día", que em português seria "Os gigantes do Jurássico Superior Ibérico: O que sabemos hoje", tem como objectivo explorar o mundo dos dinossáurios saurópodes do Jurássico Superior Ibérico, com uma perspectiva integrada entre as primeiras e últimas descobertas em território peninsular, passando pelos nossos bem conhecidos saurópodes portugueses como Dinheirosaurus, Lusotitan, Lourinhasaurus, e algumas pequenas surpresas. 

Deixamos uma tradução do resumo, originalmente em espanhol. 

"Desde do século XIX, os saurópodes são parte integrante do conhecimento existente sobre as faunas de vertebrados mesozóicos da Península Ibérica. Neste território, os restos de saurópodes são particularmente abundantes nos sedimentos do Jurássico Superior. Nas últimas décadas assistimos a uma impressionante revolução na compreensão de estes "gigantes" da Península. Nesta segunda comunicação apresentada com motivo do centenário de Dippy, será apresentado um breve resumo sobre as descobertas ibéricas de estes animais pretéritos, contemporâneos dos conhecidos saurópodes como os norteamericanos Diplodocus, Camarasaurus e Brachiosaurus e o africano Giraffatitan."

"Desde del siglo XIX, los saurópodos son parte integrante del conocimiento existente sobre las faunas de vertebrados mesozoicos de la Península Ibérica. En este territorio, los restos de saurópodos son particularmente abundantes en los sedimentos del Jurásico Superior. En las últimas décadas hemos asistido a una impresionante revolución en la comprensión de estos “gigantes” de la Península. En esta segunda comunicación presentada con motivo del centenario de Dippy, se presentará una breve reseña sobre los hallazgos ibéricos de estos animales pretéritos, contemporáneos de conocidos sauropodos como los norteamericanos Diplodocus, Camarasaurus y Brachiosaurus o el africano Giraffatitan." 

Para mais informações, consulte o seguinte site:
http://www.sam.mncn.csic.es/conferencias1.php?idconferencia=197

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

XXVII Feira de Minerais, Gemas e Fósseis, 5-8 de Dezembro


http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1805682&_dad=portal&_schema=PORTAL

Como tem sido tradição todos os anos em Lisboa, antes do Natal e do Ano Novo, realizar-se-á mais uma vez, uma das feiras de minerais, gemas e fósseis mais importantes a nível mundial, a XXVIII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

A ter lugar nos dias 5 a 8 de Dezembro, este ano, a feira terá como temática os cristais. É então espectável esperar milhares de exemplares com formas e geometrias exuberantes, espalhados pelas numerosas bancadas que o Picadeiro (edificio localizado a oeste do Museu Nacional de História Natural e da Ciência) albergará nos próximos dias. 

 Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Lisboa

Uma vez mais, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência decide organizar uma das feiras de minerais mais importantes na Europa, agora na vigésima sétima edição. Este evento estriou-se pela primera vez no ano de 1998, despois de alguns anos dificeis, em parte, consequência do incêndio de 1978, que destruio parte importante do Museu Nacional de História Natural. Contudo, esta instituição, decide avançar de forma ambiciosa com a organização de uma feira internacional de minerais, gemas e fósseis, que hoje é parte fundamental da actividade cultural anual da cidade de Lisboa (Portugal). Apesar dos tempos de crise, é bom termos ainda a oportunidade de visitar mais uma vez esta magnífica feria, à qual desejamos longa vida.

Estes dias, estaremos também presentes na XXVIII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, promocionando um pouco nossa actividade em torno das faunas do Jurásico Superior Português.

Deixamos em seguida um breve calendário: 
  • Horário: 5 Dezembro – das 15.00h às 20.00h; 6 e 7 Dezembro – das 10.00h às 20.00h;  8 Dezembro – das 10.00h às 18.00h 
  • Local: Museu Nacional de História Natural e da Ciência, Rua da Escola Politécnica, 60. 1250-102 Lisboa

http://www.mnhnc.ul.pt/portal/page?_pageid=418,1805682&_dad=portal&_schema=PORTAL

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis

Já começaram os preparativos para a XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, este ano dedicada aos aspectos essenciais dos minerais. Como habitualmente, paralelamente à Feira, terá lugar um programa complementar de actividades de divulgação cultural e científica subordinadas ao tema geral "Cristais".

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

SHN na XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis

A Sociedade de História Natural vai estar presente este ano na XXVII Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, que decorrerá de 5 a 8 de Dezembro no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa! Lá estaremos então, para promover a nossa exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", bem como para dar a conhecer a nossa investigação científica! Passem por lá, e falem com um dos nossos investigadores!


Hadrossauriformes de Morella (Espanha) na Cretaceous Research

Capas rojas de Morella

Nas jazidas de dinossáurios das "Capas rojas de Morella" e arredores foram citados pela primeira vez a presença de "lagartos terríveis" em Espanha, com as descobertas de Nicolas Ferrer e Julve nos meados do século XIX. Desde então sucederam-se numerosos e importantes achados e investigações que melhoraram a conhecimento existente sobre as faunas de vertebrados, em particular dinossáurios, do Cretácico Inferior da comarca de Els Ports.

Maxila direita de Iguanodon bernissartensis da jazida de “Mas de la Parreta”

Recentemente, investigadores e colaboradores da Sociedade de História Natural publicaram na revista científica Cretaceous Research um importante contributo sobre os grandes ornitópodes hadrossauriformes que habitavam os ecossistemas do Sul da Europa à 120 milhões de anos. Neste recente estudo são descritos restos craniais do ornitópode hadrossauriforme mais abundante nos níveis do Cretácico Inferior de Morella (Castellón, Espanha).
Abstract: This article describes isolated skull bones of at least three ornithopod dinosaurs from the lower Aptian “Arcillas de Morella” Formation at Morella (Castellón, Spain). These bones correspond to two right maxillae and a partial left quadrate. Analysis of the two maxillae belonging to the large-sized European ornithopod Iguanodon bernissartensis provided new information about this taxon. Hence, for the first time in Iguanodon, a rostrodorsal process and a straight shape, both in the maxilla and in the tooth row, are described when viewed dorsally and occlusally, respectively. Regarding the left quadrate, in the lateral and medial views, the presence of a bowed quadrate shaft related the left quadrate to the monospecific genus of large-sized ornithopod from the European Early Cretaceous Mantellisaurus. Given the scarce information about the left quadrate, we tentatively refer this bone to cf. Mantellisaurus atherfieldensis. Furthermore, new evidence of these Hadrosauriformes in the Iberian Peninsula corroborates the great similarity between the Barremian–early Aptian dinosaur faunas in British, Belgium and Iberian records.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Macronarios (Sauropoda) do Jurássico Superior de Portugal no 73rd Annual Meeting da Society of Vertebrate Paleontology


O Paleontólogo Pedro Mocho,  um dos autores
do trabalho, durante a escavação de um
dinossauro saurópode macronário,
em 2009, na Praia de Santa Rita (Torres Vedras).

Nos inícios de Novembro apresentamos no 73rd Annual Meeting da Society of Vertebrate Paleontology, que decorreu em Los Angeles, nova informação sobre os macronarios basais do Jurássico Superior Português. Com o título “Macronarian record from the Upper Jurassic of Portugal”, esta comunicação teve como autores os investigadores Pedro Mocho (Universidad Autónoma de Madrid/Sociedade de História Natural), Rafael Royo-Torres (Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis), Francisco Ortega (Grupo de Biología Evolutiva, UNED) e Bruno Camilo Silva (Sociedade de História Natural). Neste trabalho faz-se uma resenha sobre o estado actual de conhecimento sobre estes saurópodes do Jurásico Superior de Portugal, integrando a informação procedente dos taxónes clássicos (Lourinhasaurus e Lusotitan) e alguns exemplares fragmentarios, assim como novo material proveniente de Torres Vedras e Lourinhã (Portugal).

Aqui fica o resumo:

"New macronarian remains from the Portuguese Upper Jurassic are discussed. Some of those were found in Cambelas (Freixial Formation, Torres Vedras), Baleal (Praia da Amoreira-Porto Novo Formation, Peniche) and Peralta (Sobral Formation, Lourinhã) consisting of cranial (teeth) and postcranial material that could be assigned to basal macronarians. The study of several Portuguese classical remains also increases our knowledge of this group during Upper Jurassic. The reassessment of type specimens of Lourinhasaurus alenquerensis (Sobral Formation, Alenquer) and Lusotitan atalaiensis (Sobral Formation, Peralta) with the description of several unpublished and still undescribed elements allows us to refer these two taxa to Macronaria (also supported by cladistic analysis).
The presence of fully opisthocoelus condition up to the sacral vertebrae, horizontally projected diapophysis, and “plank”-like cranial dorsal ribs, which are common synapomorphies of basal macronarians, are used to relate these specimens with this group. At present, it is possible to identify one basal macronarian form close related to Camarasaurus. On the other hand, there are various specimens bearing several basal titanosauriform features, such as the camellate presacral bone, a lateral bulge on the femur, dorsal and caudal centra dorsoventrally compressed, cone-chisel-like teeth and a gracile humerus. Further analyses will discriminate if they represent one or two different
taxa.
Recent works suggested that the Upper Jurassic-Lower Cretaceous (upper Oxfordian–lower Berriasian) sauropod faunas of Iberian Peninsula are composed by exclusive taxa (LourinhasaurusLusotitan, Dinheirosaurus, Aragosaurus, GalveosaurusLosillasaurus and Turiasaurus) although some of them are related to sauropod groups represented in Upper Jurassic strata of other continents such as brachiosaurids, diplodocids and camarasaurids. This situation is opposite to what is suggested by other groups of dinosaurs (such as stegosaurs or theropods) with a proposed North American-European Upper Jurassic distribution, putting forward a vicariance model to explain their diversity in this territory."

Mais informação: 




Cranio de Camarasaurus, um saurópode macronário do Jurássico Superior