terça-feira, 26 de maio de 2015
Nova jazida paleontológica com fósseis de dinossáurios descoberta em Santiago de Litém, Pombal
Investigadores da Sociedade de História Natural participaram nos trabalhos de prospecção e escavação paleontológica de uma nova jazida com
restos fósseis de dinossáurios na localidade de Junqueira, freguesia de Santiago de Litém do município de Pombal. Esta primeira abordagem, que decorreu entre 18 e 22 de Maio, tinha como objectivo a avaliação do potencial paleontológico de um terreno no qual moradores locais tinham achado alguns fragmentos de ossos fossilizados na sequência de actividades agrícolas. Uma avaliação preliminar permitiu identificar esses fragmentos como pertencendo a dinossáurios saurópodes. Assim, e graças à disponibilidade e colaboração tanto dos donos do terreno e vizinhos como da Junta de Freguesia de Santiago de Litém e da Câmara Municipal de Pombal, decidiu-se avançar para trabalhos de prospecção sistemática no local. Os trabalhos foram desenvolvidos por investigadores de diferentes instituições, nomeadamente Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, do Departamento de Geologia e Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa, da Universidade Nacional de Educación a Distancia (Madrid) e da Sociedade de História Natural (Torres Vedras).
Nesta primeira fase procedeu-se à localização dos níveis sedimentares de proveniência dos fósseis, os quais correspondem a depósitos do Jurássico Superior com cerca de 145 milhões de anos. Na sequência destes trabalhos recolheram-se mais de uma centena de restos identificados como pertencendo, sobretudo, a dinossáurios saurópodes mas também alguns elementos de tartarugas e de crocodilomorfos.Os trabalhos suscitaram uma grande curiosidade junto da população local. De forma a dar resposta a este interesse desenvolveram-se algumas visitas à escavação, dirigidas, sobretudo, para alunos do pré-escolar e ensino básico da freguesia de Santiago de Litém. Devido à abundância de fósseis no local optou-se por não avançar para a escavação de um dos sectores da jazida, o qual será explorado numa próxima campanha a realizar posteriormente.
Santiago de Litém era já anteriormente um local bastante conhecido pela sua riqueza paleontológica, principalmente após a descoberta da jazida de Andrés, no final da década de noventa do século passado, e à subsequente descrição do primeiro exemplar identificado à espécie de dinossáurios terópodes Allosaurus fragilis fora do continente norte-americano. Esta nova jazida na Junqueira, localizada em sedimentos correlativos aos que se encontram na jazida de Andrés, vem confirmar o elevado potencial paleontológico desta região e a sua importância para o conhecimento das faunas
de vertebrados continentais do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Primeira evidência da presença de podoteca em dinossáurios não-avianos
Foi recentemente publicado, na revista Cretaceous Research, o
estudo de impressões da pele associadas à extremidade posterior do holótipo de Concavenator corcovatus Ortega et al. 2010 descrito no
Cretácico Inferior de Las Hoyas (Cuenca, Espanha). Devido à excepcional preservação
do exemplar, este estudo permitiu reconstituir a estrutura das escamas que
cobriam o pé deste terópode e compara-la com outras estruturas análogas
descritas no registo fóssil, bem como com a presente em organismos actuais
aparentados com os dinossáurios (aves e crocodilos).
Pormenores da estrutura de diferentes padrões de escamas identificados no pé de Concavenator.
Mais informação:
Cuesta, E.,
Díaz-Martínez, I., Ortega, F., Sanz, J. L. (2015). Did all Theropods have chicken-like feet? First Evidence
of a non-avian Dinosaur Podotheca. Cretaceous Research, 56: 53-59. DOI:
10.1016/j.cretres.2015.03.008
terça-feira, 7 de abril de 2015
Identificação de uma tartaruga com cresta no registo fóssil do Jurássico português
Durante o Jurássico Superior de Europa está identificado
um grupo de tartarugas exclusivas deste continente: Plesiochelyidae. Estas tartarugas
viviam em ambientes marinhos costeiros, já que as suas extremidades estavam bem
adaptadas a esse meio, mas não para atravessar grandes massas oceânicas, como
fazem as tartarugas marinhas actuais. Por esse motivo, estavam restringidas à
Europa. Devido à sua estreita vinculação a esses ambientes costeiros, este
grupo extinguiu-se no final do Jurássico, momento no qual ocorreram importantes
alterações no nível do mar, afectando os ecossistemas em que viviam.

Os plesioquélidos são muito abundantes no registo
europeu, onde estariam representados por vários táxones. De facto, os dois
géneros melhor conhecidos, Plesiochelys
e Craspedochelys, formam parte da
fauna de répteis jurássicos identificados em Portugal. Conforme costuma ocorrer
nas tartarugas, a região dorsal da sua carapaça tem forma de abóboda, sendo a
de Plesiochelys notavelmente mais
comprida que larga, mas reconhecendo-se como muito larga no caso de Craspedochelys. No entanto, existe um
plesioquélido muito peculiar, até agora muito mal conhecido, descrito apenas na
Europa Central. Trata-se de Tropidemys,
uma tartaruga com uma curiosa carapaça, já que tem uma marcada cresta sagital
que percorre desde a região anterior até à posterior. A informação sobre esta
forma estava praticamente restringida à Suíça e Alemanha. Um trabalho
recentemente publicado por Adán Pérez-Garcia (Investigador da SHN e do
Instituto D. Luís da Universidade de Lisboa), aporta novos dados sobre a
diversidade e distribuição paleogeográfica de Tropidemys. Por um lado, Tropidemys
é reconhecida na Grã-Bretanha, propondo-se uma nova combinação (Tropidemys blakii), correspondente a uns
fósseis já descritos, de maneira muito preliminar, há cerca de um século e meio,
mas até agora geralmente ignorados. Por outro, Tropidemys é reconhecido em Portugal. Concretamente, identificou-se
um exemplar procedente de Praia Azul (Torres Vedras), nas colecções
paleontológicas da SHN. Assim, não só se reconhece uma ampla área de
distribuição para Tropidemys, mas
também que se regista uma elevada diversidade de tartarugas marinhas litorais
no Jurássico Superior de Portugal e, mais concretamente, nos níveis sedimentares
de Torres Vedras.
Abstract
The record of coastal marine turtles belonging to Plesiochelyidae is abundant in the Late Jurassic of Portugal. The material analyzed thus far has been attributed to two taxa: Plesiochelys and Craspedochelys. A specimen is presented here that allows extending the known diversity of Portuguese Jurassic turtles. It is attributed to Tropidemys. Although this taxon is relatively well known in the Kimmeridgian record of Switzerland and Germany, no specific allocation performed outside these countries can be, so far, confirmed. The detailed study of the poorly known British taxon “Pelobatochelys” blakii allows its specific validity to be confirmed here, being recognized as a member of Tropidemys. The revision of this species and the analysis of the new Portuguese specimen allow extending the knowledge regarding the genus Tropidemys.
Referencia: Pérez-García, A.
2015. Revision of the British record of Tropidemys
(Testudines, Plesiochelyidae) and recognition of its presence in the Late
Jurassic of Portugal. Journal of Iberian Geology 41: 11-20.
Download paper: http://www.shn.pt/#!artigos-cientficos/c1sy0
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Documentário realizado pela RTP2 (Programa Natureza e Vida Selvagem) sobre a Sociedade de História Natural
Documentário realizado pela RTP2 (Programa Natureza e Vida Selvagem) sobre a Sociedade de História Natural e a investigação científica que levamos a cabo sobre dinossauros do Jurássico Superior de Torres Vedras (Portugal). Inicialmente previsto para dia 8 de Fevereiro, acabou por passar por erro da RTP uma semana antes. A RTP contactou-nos no sentido de comunicar que irá ser reposto no dia 15 de Fevereiro na RTP2, pelas 19:40h, em Full HD 16:9.
Documentary directed by RTP 2 channel (Nature and Wildlife Program) about the Sociedadde de História Natural and our scientific research on dinosaurs from the Upper Jurassic of Torres Vedras (Portugal).
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Os saurópodes de Gnatalie (Utah) no 74th Annual Meeting da SVP, Berlin
José Soler (NHM LAC) e Pedro Mocho (UAM/SHN) trabalhando sobre uma acumulação de vértebras caudais
Doug (NHM LAC), um dos autores de este trabalho, preparando um fémur de grandes dimensões
Pedro Mocho (Universidad Autónoma de Madrid/Sociedade de História Natural), Francisco Ortega (Grupo de Biología Evolutiva, UNED/Sociedade de História Natural), Fernando Escaso (Grupo de Biología Evolutiva, UNED/Sociedade de História Natural), Douglas Goodreau (Natural History Museum of LAC) e Luis Chiappe (Natural History Museum of LAC) apresentaram um estudo preliminar das faunas de saurópodes encontradas numa jazida designada de "Gnatalie" na região sul de Utah.
Na referida comunicação vários espécimes de saurópodes são apresentados pela primeira vez e descritos de forma breve. Pelo menos dois indivíduos parecem pertencer ao grupo Diplodocidae (onde se incluí Diplodocus e Dinheirosaurus) e um outro indivíduo poderá estar relacionado ao grupo Camarasauridae (grupo que incluí hoje em dia Lourinhasaurus e Camarasaurus). Uma posição filogenética preliminar é proposta para os respectivos indivíduos com base numa nova matriz de dados morfológicos.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Projecto de Investigação Internacional
Nas primeiras semanas deste mês a Sociedade de Historia Natural (SHN), através do Departamento de Informação Geográfica, associou-se a investigadora norte americana Katina Lillios, da Universidade de Iowa, num projecto de investigação intitulado Assessing the Role of Ecological Change on Economic and Demographic Transformations Between the Late Neolithic and Early Bronze Age in the Sizandro River Valley.
O projecto, financiado pela National Science Foundation (EUA), pretende compreender melhor as alterações nos padrões de povoamento do território correspondendente à bacia hidrográfica do Rio Sizandro (Concelho de Torres Vedras) entre o Calcolítico (ou Idade do Cobre) e a Idade do Bronze. A investigação será essencialmente uma analise espacial da paisagem, precedida de trabalhos de campo para levantamento da localização de estações arqueológicas com recurso a GPS.
O Departamento de Informação Geográfica assegurou o equipamento e conhecimentos técnicos necessários à conclusão da fase de levantamento das estações arqueológicas. A próxima fase consistirá na análise dos dados recolhidos num Sistema de Informação Geográfica (SIG), tendo já ficado estabelecido que será a SHN a entidade responsável pela metodologia de análise.
Esta colaboração representa (mais um) reconhecimento internacional da competência técnica e científica que a SHN empresta a todos os projectos em que se envolve. Os resultados desta investigação serão publicados em 2015 numa revista de referencia. Enquanto esse momento não chega, deixamos aqui algumas fotografias da fase levantamento.
Finalmente uma nota para a preciosa colaboração dos técnicos do Museu Municipal de Torres Vedras, nomeadamente o Leonel Trindade e a Isabel de Luna, que nestes dias, entre montes e vales, nos guiaram de forma incansável pelas várias estações arqueológicas do concelho.
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