sábado, 2 de junho de 2012
Dinossauros no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha
O Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) localiza-se no centro histórico da vila da Batalha. Esta região integra-se na unidade geomorfológica designada Maciço Calcário Estremenho e nas imediações do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. O MCCB (Museu da Comunidade Concelhia da Batalha) define-se como “um Museu de todos e para todos”. A sua matriz baseia-se na linha da museologia inclusiva, através de uma forte aposta na área das acessibilidades, com percursos e equipamentos adaptados a pensar nos visitantes com necessidades especiais. O programa expositivo está organizado em três áreas distintas: Passado, Presente e Futuro.
Na área temática dedicada ao Passado é apresentada uma breve síntese da evolução do território nos últimos 250 Milhões de anos, com base nos registos geológico, paleontológico e arqueológico, conhecidos na região. A área expositiva do MCCB inicia com uma breve síntese da história do Universo, através de uma linha do tempo em que se encontram assinalados os principais acontecimentos da evolução da Terra de da Vida. Após esta curta introdução a exposição centra-se nos registos conhecidos na região. Conta-se a evolução deste território com base no vasto registo conhecido nos estratos que compõem o Maciço Calcário Estremenho. Esta unidade geomorfológica é um dos maiores testemunhos ibéricos da história geológica do Jurássico e é um elemento fundamental da paisagem da região.
Os sedimentos do Jurássico Médio, predominantemente calcários, formam actualmente as serras da região e indiciam paleoambientes marinhos e litorais. Nestas rochas são abundantes fósseis de invertebrados (e.g. crinóides, equinóides, coraliários, equinodermes, bivalves). São também conhecidas na região evidências de dinossáurios do Jurássico Médio, essencialmente pegadas, das quais se destaca na exposição o Monumento das Pagadas de Dinossáurios (conhecida Pedreira do Galinha), localizada a cerca de 19km da Batalha. O registo fóssil do Jurássico Superior é constituído, essencialmente, por dinossáurios mas são também conhecidos escassos restos de outros vertebrados (e.g. peixes, crocodilianos e tartarugas).
No MCCB destaca-se neste registo a descoberta de um exemplar deStegosaurus na jazida de Casal Novo (Batalha). Podem ver-se diversos elementos deste exemplar e conta-se a história da descoberta, bem como os trabalhos de escavação na jazida. São apresentadas também as hipóteses paleogeográficas para explicar a presença de Stegosaurus, bem como de outros táxones descritos em níveis sincrónicos da América do Norte, no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica. Para além de ossos fossilizados deStegosaurus estão expostos também outros vestígios de dinossáurios descobertos na região (e.g. dentes e vértebras isoladas de dinossáurios terópodes provenientes de Porto de Mós). A caracterização dos diferentes ecossistemas ao longo da evolução deste território é acompanhada por diversas ilustrações, realizadas pelos ilustradores científicos Ivan Gromicho (ALT-SHN), Raúl Martín e Mauricio Antón.
Com base no registo de processos geológicos e de fósseis é apresentada a síntese da evolução da Bacia Lusitânica e, em particular do Maciço Calcário Estremenho, através de uma série de diagramas interpretativos das diferentes fases de evolução (desenvolvidos por Nuno Farinha). Este projecto museológico contou com a acessória científica de diversas equipas que desenvolveram trabalhos prévios de investigação nas respectivas áreas temáticas. Os trabalhos de paleontologia foram desenvolvidos por investigadores ligados sobretudo à ALT-Sociedade de História Natural, Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa e ao Laboratório de História Natural da Batalha, bem como a instituições de Espanha, nomeadamente a UNED e UAM. No âmbito destes trabalhos foram realizadas, com o apoio da Câmara Municipal da Batalha, campanhas de escavação paleontológicas na jazida de Casal Novo, na qual foi descoberto o primeiro exemplar de dinossáurio ornitisquio identificado ao género Stegosaurus conhecido em Portugal.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Palestra sobre dinossauros terópodes na Faculdade de Ciências da UL: Breve Resumo
Realizou-se no passado dia 26 de
Abril mais uma sessão dos Colóquios de Paleontologia, uma iniciativa do
Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
(GeoFCUL) e do Núcleo de Estudantes de Geologia (NEGFCUL). Estes colóquios têm
vindo a reunir um número crescente de participantes e representam uma excelente
oportunidade para a discussão e divulgação de conhecimento na área da
paleontologia.
Nesta última sessão, levada a
cabo pela paleontóloga Elisabete Malafaia (ALT-SHN), incidiu-se sobre os
dinossáurios terópodes do Jurássico Superior português, apresentando-se uma
síntese do conhecimento actual sobre o registo destes dinossáurios na Bacia
Lusitânica. Neste colóquio foram discutidos aspectos relacionados com a
interpretação tafonómica e paleoambiental resultante do estudo de material
inédito.
Os terópodes do Jurássico
Superior da Bacia Lusitânica são conhecidos actualmente em sedimentos de idade
entre o Oxfordiano superior e o topo do Titoniano, embora sejam mais abundantes
em níveis do Kimmeridgiano superior – Titoniano superior, sobretudo das
formações de Alcobaça e Lourinhã. Este registo está composto, sobretudo, por um
conjunto de táxones identificados a ceratossáurios e tetanuros (megalossáuroides
e alossáuroides). Embora menos frequentes, são também conhecidos diversos
exemplares interpretados como pequenos coelurosaurios, representados sobretudo
por dentes isolados.
A identificação de diversos
grupos de vertebrados continentais, em particular de dinossáurios, no registo
do Jurássico Superior da Ibéria que correspondem a formas partilhadas com
registos sincrónicos da América do Norte (e de forma mais excepcional com o
registo africano) tem permitido justificar a existência de possíveis contactos
entre as faunas desenvolvidas em ambos lados do Atlântico. Por outro lado, a
actividade tectónica relacionada com a abertura do Atlântico Norte poderá ter
sido determinante no desenvolvimento destes ecossistemas, por vicariância e
consequente instalação de formas endémicas.
Grande parte das colecções de
restos osteológicos de dinossáurios do Jurássico Superior português conhecidas
actualmente está composta por restos isolados. Uma vez que não existe
legislação específica, estes restos são recolhidos, em muitos casos, por
aficionados, geralmente coleccionadores de fósseis ou colectores ocasionais. A
actividade destes colectores tem permitido recuperar diversos exemplares na
faixa costeira do território, onde poderiam ser facilmente destruídos devido à
erosão costeira ou pela acção de curiosos. Por outro lado, estes exemplares
chegam ao paleontólogo fora do seu contexto estratigráfico e geológico. Embora
por vezes seja possível identificar o local exacto e mesmo o nível sedimentar
de onde são provenientes os restos, parte da informação tafonómica (orientação
e posição dos ossos) fica perdida. A ausência destes dados dificulta a
interpretação das jazidas sob um ponto de vista paleoambiental e tafonómico.
Em conclusão, estas foram algumas
das questões discutidas neste último colóquio de paleontologia que contou com
cerca de 40 participantes, desde estudantes, professores universitários e
elementos de instituições como o Portugal Natura.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
A ALT - Sociedade de História Natural obteve o patrocínio cientifíco da SEPTENTRIO - Satellite Navigation sob a forma de equipamento GNSS de alta precisão - receptor e antena de dupla frequência. Este apoio reforça a autonomia técnica do Departamento de Informação Geográfica , ao mesmo tempo que permitirá efectuar levantamentos de grande precisão, quer autonomamente, quer através possíveis novas parcerias técnicas que venham a ser estabelecidas. O Projecto "Sistema de Informação Geográfica Aplicado à Paleontologia" tenderá a aplicar este novo sistema no enquadramento estratigráfico dos numerosos espécimes de vertebrados que compõem a nossa Colecção Paleontológica.
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ALT - Sociedade de História Natural obtained scientific sponsoring from SEPTENTRIO - Satellite Navigation in the form of high accuracy GNSS equipment - a receiver and a dual frequency antenna. This Equipment will enable our researchers to take high accuracy surveys and it's a great improvement towards our technological autonomy. Our project "Geographic Information System Applied to Palaeontology" will tend to apply this new system in the stratigraphic framework of the numerous specimens of vertebrates that make up our Paleontological Collection.
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ALT - Sociedade de História Natural obtained scientific sponsoring from SEPTENTRIO - Satellite Navigation in the form of high accuracy GNSS equipment - a receiver and a dual frequency antenna. This Equipment will enable our researchers to take high accuracy surveys and it's a great improvement towards our technological autonomy. Our project "Geographic Information System Applied to Palaeontology" will tend to apply this new system in the stratigraphic framework of the numerous specimens of vertebrates that make up our Paleontological Collection.
sábado, 14 de abril de 2012
Conferência sobre Terópodes Portugueses no GeoFCUL por Elisabete Malafaia.
Elisabete Malafaia com exemplar de dente fóssil de terópode.
Elisabete Malafaia, investigadora da ALT-Sociedade de História Natural (Torres Vedras) e do grupo Godzillin (http://godzillin.blogspot.com.es/) prepara-se para realizar uma apresentação no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Nesta apresentação, Elisabete falará de dinossáurios Terópodes do Jurássico Superior Português, sua área de especialização.
Este grupo de antigos animais tem nos alimentado continuamente o imaginário desde à décadas, e ainda hoje, continua na crista da onda do debate científico. Os restos fósseis deste grupo são particularmente interessantes e ferozes no que dizem respeito à informação que nos têm fornecido sobre estes animais! Apesar de ainda não terem sido avistados terópodes emplumados por terras lusitânicas, os terópodes portuguesas não deixam de somar importantes conhecimentos sobre estas terríveis “galinhas” Mesozóicas!
Elisabete Malafaia preparando com Godzillin!
A apresentação intitula-se “Dinossáurios Terópodes do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica” e decorrerá no dia 26 de Abril às 17h30 no anfiteatro 6.2.56 do edifício C6 da FCUL (Campo Grande/Cidade Universitária, Lisboa).
Desde já convidamos a todos a assistir a mais uma apresentação sobre este fantástico mundo dos dinossáurios, e desta vez através das mãos de Elisabete Malafaia, com os Terópodes do Jurássico Superior.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Pegadas de Portugal em encontro cientifico ibérico.
Como foi anteriormente anunciado por este blog, nos próximos dias 12 a 17 de Abril de 2012, em Valência, irá se realizar o 10º Encontro de Jovens Investigadores em Paleontologia (X EJIP). Destacamos o facto de este encontro contar com participação portuguesa, em particular, por parte da paleontóloga Vanda Faria dos Santos, do Museu Nacional de História Natural (Lisboa), co-autora da seguinte comunicação: “Gregarious behaviour inferred from sauropod footprints in the Iberian Peninsula” de Diego Castanera, Bernat Vila, Novella Razzolini, Vanda Faria dos Santos, Carlos Pascual & José Ignacio Canudo. Nesta comunicação prevê-se a discussão do comportamento gregário a partir do registo de pegadas de saurópodes da Península Ibérica. É importante sublinhar, que Portugal usufrui de um importante registo em pegadas de dinossáurios ao longo da Bacia Lusitânica e da Bacia do Algarve. A Pedreira do Galinha (Maciço Calcário Estremenho) e o Cabo Espichel (Península de Setúbal) são algumas das jazidas mais conhecidas.
Vanda dos Santos na Pedreira do Galinha
Mais uma vez, os vestígios icnológicos de dinossáurios em Portugal assumem um papel importante no debate científico, desta vez por parte dos paleontólogos Bernat Vila Castanera, Novella Razzolini, Vanda Faria dos Santos, Carlos Pascual e José Ignacio Canudo.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Restos craniais de Turiasaurus vêem a luz do Sol!
No mês passado, foram finalmente divulgados os restos craniais de Turiasaurus. Estes restos craniais do Jurássico Superior de Teruel (Espanha) foram encontrados em estreita relação com material apendicular, definido anteriormente como Turiasaurus riodevensis, espécie definida no ano de 2006. Seis anos após a sua descoberta, estes restos craniais, preparados em Dinopolis (Teruel), são publicados no Journal of Systematic Paleontology pelos paleontólogos Rafael Royo-Torres e Paul Upchurch. O crânio de Turiasaurus apresenta uma anatomia semelhante a outros crânios de sauropodes, como por exemplo, Camarasaurus, Jobaria e Mamenchisaurus. O estudo filogenético proposto sustenta a hipótese de termos na Península Ibérica um grupo de saurópodes não neosaurópodes, Turiasauria, que também está presente no continente africano. Este grupo é constituido actualmente por espécies como Galveosaurus e Losillasaurus (sem restos craniais associados, e ambas do Jurássico Superior Espanhol). Este estudo demonstra-se particularmente interessante, pelo facto de Turiasauria também estar presente no Jurássico Superior português com restos colectados nos conselhos de Torres Vedras, Lourinhã e São Martinho do Porto. Os conhecimentos aportados nesta publicação poderão ser de extrema importância na compreensão das faunas de dinossaurios do Jurássico Superior português.
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