segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Projecto de Investigação Internacional

Nas primeiras semanas deste mês a Sociedade de Historia Natural (SHN), através do Departamento de Informação Geográfica, associou-se a investigadora norte americana Katina Lillios, da Universidade de Iowa, num projecto de investigação intitulado Assessing the Role of Ecological Change on Economic and Demographic Transformations Between the Late Neolithic and Early Bronze Age in the Sizandro River Valley.

O projecto, financiado pela National Science Foundation (EUA), pretende compreender melhor as alterações nos padrões de povoamento do território correspondendente à bacia hidrográfica do Rio Sizandro (Concelho de Torres Vedras) entre o Calcolítico (ou Idade do Cobre) e a Idade do Bronze. A investigação será essencialmente uma analise espacial da paisagem, precedida de trabalhos de campo para levantamento da localização de estações arqueológicas com recurso a GPS.

O Departamento de Informação Geográfica assegurou o equipamento e conhecimentos técnicos necessários à conclusão da fase de levantamento das estações arqueológicas. A próxima fase consistirá na análise dos dados recolhidos num Sistema de Informação Geográfica (SIG), tendo já ficado estabelecido que será a SHN a entidade responsável pela metodologia de análise.

Esta colaboração representa (mais um) reconhecimento internacional da competência técnica e científica que a SHN empresta a todos os projectos em que se envolve. Os resultados desta investigação serão publicados em 2015 numa revista de referencia. Enquanto esse momento não chega, deixamos aqui algumas fotografias da fase levantamento.






Finalmente uma nota para a preciosa colaboração dos técnicos do Museu Municipal de Torres Vedras, nomeadamente o Leonel Trindade e a Isabel de Luna, que nestes dias, entre montes e vales,  nos guiaram de forma incansável pelas várias estações arqueológicas do concelho.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Novos restos cranianos de megalossaurídeos do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica no 74th Annual Meeting de la SVP



Nos passados dias 5-8 de novembro celebrou-se em Berlim o 74º encontro anual da Society of Vertebrate Paleontology. Nesta reunião foi apresentado, sob a forma de poster, o estudo de um novo conjunto de elementos cranianos de terópodes megalossaurídeos provenientes do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica.

O novo exemplar, recolhido na região litoral de Torres Vedras, mais especificamente na Praia da Corva, em sedimentos de idade Kimeridgiano superior, inclui uma maxila esquerda incompleta e diversos fragmentos indeterminados. Estes elementos apresentam uma combinação de caracteres compatível com a dos terópodes megalossaurídeos, um clado representado no registo português por diversos exemplares identificados aos géneros Torvosaurus e Lourinhanosaurus. Relativamente a outros megalossaurídeos descritos anteriormente no registo português, o novo exemplar apresenta algumas diferenças, sobretudo na morfologia do processo anteromedial da maxila. Contudo, a extremidade anterior da maxila encontra-se bastante fracturada, sugerindo que estas diferenças podem estar, em parte, relacionadas com deformação.

A análise filogenética permite identificar o novo exemplar de Praia da Corva ao clado Megalosauroidea. Em particular, o exemplar apresenta uma morfologia geral semelhante a alguns elementos identificados a Torvosaurus. Contudo, tendo em conta a identificação de algumas diferenças com este táxone e a maior diversidade de megalossaurídeos no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica recentemente proposta, optámos por identificar o exemplar como um megalossaurídeo indeterminado.

Referencia: Malafaia, E., Ortega, F., Escaso, F., Silva, B. 2014. New cranial remains assigned to Megalosauridae (Dinosauria: Theropoda) from the Late Jurassic of Lusitanian Basin (Portugal). Program and Abstracts. 74th Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology. Berlin, Germany, 175.

Na imagem Danny Vidal e Pedro Mocho consultando, atentamente, o poster.

sábado, 25 de Outubro de 2014

Novos restos identificados a terópodes coelurossáurios do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica


Campanha de escavação na jazida de Andrés no ano 2005.
Da esquerda para a direita Francisco Ortega, Fernando Escaso,
Pedro Dantas, Elisabete Malafaia e José Miguel Gasulla.
Foi apresentado nas XXX Jornadas de la Sociedad Española de Paleontología, que tiveram lugar em Teruel, Espanha, entre 15 e 18 de Outubro, o estudo de um conjunto de vértebras de dinossáurios terópodes provenientes da jazida de Andrés (Pombal).
Andrés é um dos raros exemplos de uma jazida que preserva uma associação de múltiplos taxa de vertebrados conhecidos actualmente no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica. Esta associação representa uma ampla diversidade faunística que inclui peixes, esfenodontes, crocodilomorfos, pterossáurios e dinossáurios. Os dinossáurios estão representados, sobretudo por abundantes restos relacionados ao género Allosaurus mas também por escassos elementos identificados a outros grupos de terópodes, a saurópodes e a ornitópodes.
Neste trabalho foram estudadas algumas vértebras caudais da colecção de fósseis recolhida em Andrés, as quais apresentam um conjunto de características morfológicas compatível com os terópode coelurossáurios. Estas vértebras de pequenas dimensões (comprimento dos centros entre 37 e 41mm) têm centros bastante compridos relativamente à altura, as facetas articulares são ligeiramente côncavas e as prézigapófises longas. Estas características são típicas da maioria dos terópodes tatanuros. A morfologia geral destas vértebras é semelhante a algumas vértebras caudais de Allosaurus recolhidas nesta mesma jazida. Contudo, podem reconhecer-se também algumas diferenças com este táxone, como por exemplo a superfície ventral dos centros aproximadamente recta e a presença de uma crista longitudinal na superfície lateral.
Esta combinação de caracteres é compatível com a de algumas formas de pequeno tamanho de terópodes coelurossáurios, nomeadamente com membros do claro Maniraptora. Esta interpretação suporta a hipótese sobre a presença de pequenos terópodes derivados na jazida de Andrés que tinha sido proposta anteriormente com base em alguns dentes isolados. 


Fotografia: Campanha de escavação na jazida de Andrés no ano 2005. Da esquerda para a direita Francisco Ortega, Fernando Escaso, Pedro Dantas, Elisabete Malafaia e José Miguel Gasulla.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

IV Congresso Jovens Investigadores em Geociências, LEG 2014-10-21


Decorreu nos passados dias 11 – 12 de Outubro, no Centro de Ciência Viva de Estremoz a quarta edição do Congresso Jovens Investigadores em Geociências. O encontro contou este ano, pela primeira vez, com uma sessão de comunicações dedicada à paleontologia. Nesta sessão foram apresentados diversos trabalhos sobre diferentes temáticas da paleontologia em Portugal. Esta sessão contou com as seguintes apresentações: 

  • Estudo sistemático e paleoambiental de um conjunto de dentes de tubarões do Miocénico de Carcavelos, a cargo de Cristiana Esteves (Universidade de Lisboa). 
  • Estudo preliminar sobre restos osteológicos de saurópodes diplodocideos do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica, apresentada por Pedro Mocho (Sociedade de História Natural/Grupo de Biología Evolutiva UNED)
  • Estudo de novas ocorrências de terópodes, com o estudo de um novo exemplar identificado ao clado Megalosauroidea proveniente de uma jazida do litoral da região de Lourinhã, apresentado por Elisabete Malafaia (Sociedade de História/Universidade de Lisboa). 
  • Estudo do registo de equinodermes do Ordivícico da região de Mação, a cargo de Ana Jacinto (Universidade de Lisboa/Universidad Complutense de Madrid)
  • Ocorrências de trilobites na Formação Ribeira da Laje desta mesma região por Sofia Pereira (Universidad de Lisboa).
Fila superior: Ana Jacinto (FCUL/UCM), Sofia Pereira (FCUL), Inês Andrade (FCUL), Vanessa Pais (FCUL), Cristiana Esteves (FCUL/SHN), Inês Pereira (UE/CCVE), Fila inferior: Pedro Mocho (SHN/UNED/UAM), Elisabete Malafaia (UCM)


O congresso contou com a apresentação, em forma de poster, de uma análise de ostracodos e microfácies de depósitos do Cenomaniano da região de Lisboa, a cargo de Vanessa Pais e Inês Andrade (Universidade Lisboa). 

Juan Carlos Gutiérrez-Marco falando sobre a geologia e paleontologia de Gondwana

A conferência de encerramento do encontro esteve a cargo de Juan Carlos Gutiérrez-Marco do Instituto de Geociências da Universidade Complutense de Madrid, que nos levou numa interessante viagem para conhecer as margens do continente Gondwana.

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Referências:

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Diplodocídeos do Jurássico Superior no IV Congresso de Jovens Investigadores em Geociências


No passado dia 12 de Outubro foi apresentado no IV Congresso Jovens Investigadores em Geociências uma nova comunicação sobre dinossáurios do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica. Intitulada de “A preliminary evaluation of Diplodocidae record from the Upper Jurassic of Lusitanian Basin (W, Portugal)”, nesta comunicação apresenta-se uma análise preliminar do registo fóssil de saurópodes diplodocídeos da Bacia Lusitânica, assim como uma nova proposta filogenética para o registo conhecido (em particular para Dinheirosaurus) e para novas ocorrências em Valmitão (Lourinhã), Cambelas (Torres Vedras) e Praia Vermelha (Peniche). Este estudo foi conduzido pelos paleontólogos Pedro Mocho, Rafael Royo-Torres, Francisco Ortega, Elisabete Malafaia e Fernando Escaso. Este estudo resulta assim de uma colaboração entre instituições portuguesas e espanholas, como a Universidad Autónoma de Madrid, Sociedade de História Natural, Grupo de Biología Evolutiva UNED, FCPT-Dinópolis e o Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Pedro Dantas (SHN) na excavação de Dinheirosaurus (Porto Dinheiro, Lourinhã)

Deixamos aqui o resumo em inglês e português 

Abstract: The diplodocid record from the Upper Jurassic of the Lusitanian Basin is relatively scarce. This record includes Dinheirosaurus and some fragmentary remains, among which there has been proposed a second taxon. The study of three new specimens from Valmitão (Lourinhã), Cambelas (Torres Vedras) and Praia Vermelha (Peniche) and the redescription of Dinheirosaurus is providing new information about the diplodocids of the Lusitanian Basin. Preliminary phylogenetic analyses suggest that these new specimens and Dinheirosaurus are derived diplodocids closely related to Diplodocus and Barosaurus from the Morrison Formation. 

Resumo: O registo fóssil de diplodocídeos proveniente do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica é relativamente escasso. Este registo inclui Dinheirosaurus e outros exemplares mais fragmentários, dos quais se considera a existência de um segundo taxon. O estudo de três novas ocorrências em Valmitão (Lourinhã), Cambelas (Torres Vedras) e Praia Vermelha (Peniche) assim como a redescripção de Dinheirosaurus têm fornecido nova informação sobre os diplodocídeos da Bacia Lusitânica. Análises filogenéticas preliminares sugerem que estes três espécimenes e Dinheirosaurus correspondem a diplodocídeos derivados relacionados com Diplodocus e Barosaurus da Formação de Morrison.

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Referências:

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Eousdryosaurus nanohallucis gen. et sp. Nov: um novo dinossauro ornitópode do Jurássico Superior de Portugal

Eousdryosaurus, o pequeno dinossauro que viveu num tempo de gigantes
Reconstituição de Eousdryosarus nanohallucis (crédito: Raúl Martin)
Um grupo de investigadores associados do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de História Natural publicou recentemente na revista internacional Journal of Vertebrate Paleontology a descoberta de uma nova espécie de dinossauro ornitópode que viveu no território português há 152 milhões de anos. Este novo dinossauro foi apelidado de Eousdryosaurus nanohallucis que significa “o dryossáurio do oriente com dedo reduzido” e pertence à Colecção Paleontológica da SHN, e é carinhosamente apelidado pela equipa como "Manuelino"! Bem vindo, então!
Várias jazidas do Jurássico Superior encontradas nos últimos anos na região centro-oeste de Portugal são especialmente ricas em restos de dinossauros e outros vertebrados, situação que tem permitido aumentar consideravelmente o conhecimento sobre os ecossistemas que constituíram a Península Ibérica há 150-145 milhões de anos. Este novo dinossauro foi encontrado em 1999 por um amador, num bloco caído das arribas na Praia de Porto das Barcas (Lourinhã). Posteriormente, o responsável pela descoberta, e que reuniu uma grande colecção de dinossauros por si recolhidos em 80km de costa litoral oeste, doou o seu espólio à Câmara Municipal de Torres Vedras, onde vive, para que esta integrasse a colecção paleontológica já existente na Sociedade de História Natural, sediada em Torres Vedras.
Cladograma de Eousdryosaurus
Este novo exemplar, em muito bom estado de preservação, consiste num esqueleto parcial do qual se encontram representados elementos da cauda, da cintura pélvica (pélvis) e das patas posteriores. Neste exemplar é de destacar a presença de um pé completo que permite constatar que Eousdryosaurus possuía um dedo do pé de pequenas dimensões (dedo I) e dirigido posteriormente, uma das características peculiares desta nova espécie. Ao longo da sua história evolutiva os dinossauros ornitópodes adquirem um pé constituído por três dedos. Contudo, a excelente preservação de Eousdryosaurus permite à comunidade científica concluir que isso ocorreu após a radiação dos dryossáurios, que ainda mantêm quatro dedos no pé.
Pata de Eousdryosaurus
O estudo do registo de dinossauros do Jurássico Superior Português permitiu a descoberta de mais de uma dezena de novas espécies. Entre estas, Eousdryosaurus é a primeira espécie de um ornitópode dryossáurio. Os dryossáurios foram um grupo de pequenos dinossauros bípedes e provavelmente ágeis e velozes que habitaram na Europa, América do Norte e África durante o final do período do Jurássico e início do Cretácico. Eousdryosaurus foi um pequeno dinossauro que viveu num tempo de gigantes: o esqueleto encontrado em Porto das Barcas pertenceu a um indivíduo que teriam aproximadamente 1.60 metros de comprimento e cerca de meio metro de altura. Este dinossauro encontrado em Portugal é ligeiramente mais pequeno que os exemplares mais bem conhecidos deste grupo, como é o caso do representante Norte-americano Dryosaurus.
A descoberta e o estudo desta nova espécie foram desenvolvidos por uma equipa internacional de investigadores da Sociedade História Natural (Torres Vedras), do Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Espanha) e da Universidade de Lisboa, que se têm dedicado conjuntamente e nas últimas décadas ao estudo das faunas de vertebrados, em particular dinossauros, do Jurássico Superior português. 
Para quem esteja por Torres Vedras, realiza-se dia 16 de Setembro pelas 17h a apresentação pública de Eousdryosaurus (Manuelino, para os amigos), no Museu Municipal de Torres Vedras, onde se encontra patente a exposição da SHN "Dinossauros que viveram na nossa terra".


Referencias:
Fernando Escaso, Francisco Ortega, Pedro Dantas, Elisabete Malafaia, Bruno Silva, José M. Gasulla, Pedro Mocho, Iván Narváez& José L. Sanz. “A new dryosauridornithopod (Dinosauria, Ornithischia) from the Late Jurassic of Portugal”. Journal of Vertebrate Paleontology, 34(5): 1102 - 1112.DOI:10.1080/02724634.2014.849715.