segunda-feira, 8 de junho de 2015

M2-Wokshop de Fotografia Técnica de Fósseis e Objetos Metálicos

M2 - Workshop Fotografia técnica de Fósseis e Objectos Metálicos 
Local do Workshop:
Sociedade de História Natural, Travessa Florêncio Augusto Chagas, nº8 B, R/C, 2560-230 Torres Vedras

Atendendo a diversos pedidos, o programa do Módulo 2 do "Curso Modular de Fotografia Para Aplicações Científicas", será excepcionalmente apresentado com uma duração reduzida (formato de workshop). Para o efeito, foi eliminada deste módulo toda a primeira parte teórica mais generalista, referente à história e características de funcionamento das câmaras fotográficas e objetivas. Ainda assim, serão abordadas algumas das questões técnicas de funcionamento destas câmaras, desde que diretamente relacionadas com este tipo de imagens.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

I Curso de Verão de Paleontologia de Vertebrados

Curso de Verão de Paleontologia de Vertebrados na FCUL, em cooperação com a SHN.
O curso está definido a nível de Pós-Graduação pelo que se dará preferência a licenciados nas áreas das Geociências e Ciências Biológicas.

Componente teórica: 20 a 22 de Julho (17h-21h)
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Edifício e sala a designar) 
Candidaturas: 1 a 20 Junho de 2015*
Inscrições: 22 a 26 de Junho 2015 **

Componente prática: 27 de Julho a 30 de Agosto***
Sociedade de História Natural-Torres Vedras
Participantes (máx. 10)- a seleccionar dentre os inscritos na componente teórica.

* As candidaturas (com CV) serão avaliadas e aceites (máx.20) por ordem da sua recepção por correio electrónico para mcachao@fc.ul.pt
** As inscrições são validadas mediante pagamento (25€) na secretaria da Faculdade de Ciências da ULisboa (Campo Grande, Edif.5)
*** A definir com os selecionados




terça-feira, 26 de maio de 2015

Nova jazida paleontológica com fósseis de dinossáurios descoberta em Santiago de Litém, Pombal

Investigadores da Sociedade de História Natural participaram nos trabalhos de prospecção e escavação paleontológica de uma nova jazida com restos fósseis de dinossáurios na localidade de Junqueira, freguesia de Santiago de Litém do município de Pombal. Esta primeira abordagem, que decorreu entre 18 e 22 de Maio, tinha como objectivo a avaliação do potencial paleontológico de um terreno no qual moradores locais tinham achado alguns fragmentos de ossos fossilizados na sequência de actividades agrícolas. Uma avaliação preliminar permitiu identificar esses fragmentos como pertencendo a dinossáurios saurópodes. Assim, e graças à disponibilidade e colaboração tanto dos donos do terreno e vizinhos como da Junta de Freguesia de Santiago de Litém e da Câmara Municipal de Pombal, decidiu-se avançar para trabalhos de prospecção sistemática no local. Os trabalhos foram desenvolvidos por investigadores de diferentes instituições, nomeadamente Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, do Departamento de Geologia e Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, da Universidade Nacional de Educación a Distancia (Madrid) e da Sociedade de História Natural (Torres Vedras). Nesta primeira fase procedeu-se à localização dos níveis sedimentares de proveniência dos fósseis, os quais correspondem a depósitos do Jurássico Superior com cerca de 145 milhões de anos. Na sequência destes trabalhos recolheram-se mais de uma centena de restos identificados como pertencendo, sobretudo, a dinossáurios saurópodes mas também alguns elementos de tartarugas e de crocodilomorfos.Os trabalhos suscitaram uma grande curiosidade junto da população local. De forma a dar resposta a este interesse desenvolveram-se algumas visitas à escavação, dirigidas, sobretudo, para alunos do pré-escolar e ensino básico da freguesia de Santiago de Litém. Devido à abundância de fósseis no local optou-se por não avançar para a escavação de um dos sectores da jazida, o qual será explorado numa próxima campanha a realizar posteriormente. Santiago de Litém era já anteriormente um local bastante conhecido pela sua riqueza paleontológica, principalmente após a descoberta da jazida de Andrés, no final da década de noventa do século passado, e à subsequente descrição do primeiro exemplar identificado à espécie de dinossáurios terópodes Allosaurus fragilis fora do continente norte-americano. Esta nova jazida na Junqueira, localizada em sedimentos correlativos aos que se encontram na jazida de Andrés, vem confirmar o elevado potencial paleontológico desta região e a sua importância para o conhecimento das faunas de vertebrados continentais do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Primeira evidência da presença de podoteca em dinossáurios não-avianos

Foi recentemente publicado, na revista Cretaceous Research, o estudo de impressões da pele associadas à extremidade posterior do holótipo de Concavenator corcovatus Ortega et al. 2010 descrito no Cretácico Inferior de Las Hoyas (Cuenca, Espanha). Devido à excepcional preservação do exemplar, este estudo permitiu reconstituir a estrutura das escamas que cobriam o pé deste terópode e compara-la com outras estruturas análogas descritas no registo fóssil, bem como com a presente em organismos actuais aparentados com os dinossáurios (aves e crocodilos).


















Pormenores da estrutura de diferentes padrões de escamas identificados no pé de Concavenator.





As conclusões deste trabalho permitiram reconhecer um padrão na estrutura da podoteca de Concavenator semelhante à que apresentam as aves actuais e distinta da presente em crocodilos e em dinossáurios saurópodes. Esta nova descoberta constitui a primeira evidência da presença de podoteca semelhante à das aves actuais em terópodes não-avianos, sugerindo que esta estrutura estaria já presente pelo menos nos membros do clado Avetheropoda. Por outro lado, esta nova evidência tem importantes implicações para os estudos do registo icnológico deste grupo de dinossáurios terópodes.


Mais informação:
Cuesta, E., Díaz-Martínez, I., Ortega, F., Sanz, J. L. (2015). Did all Theropods have chicken-like feet? First Evidence of a non-avian Dinosaur Podotheca. Cretaceous Research, 56: 53-59. DOI: 10.1016/j.cretres.2015.03.008

terça-feira, 7 de abril de 2015

Identificação de uma tartaruga com cresta no registo fóssil do Jurássico português


Durante o Jurássico Superior de Europa está identificado um grupo de tartarugas exclusivas deste continente: Plesiochelyidae. Estas tartarugas viviam em ambientes marinhos costeiros, já que as suas extremidades estavam bem adaptadas a esse meio, mas não para atravessar grandes massas oceânicas, como fazem as tartarugas marinhas actuais. Por esse motivo, estavam restringidas à Europa. Devido à sua estreita vinculação a esses ambientes costeiros, este grupo extinguiu-se no final do Jurássico, momento no qual ocorreram importantes alterações no nível do mar, afectando os ecossistemas em que viviam.

Os plesioquélidos são muito abundantes no registo europeu, onde estariam representados por vários táxones. De facto, os dois géneros melhor conhecidos, Plesiochelys e Craspedochelys, formam parte da fauna de répteis jurássicos identificados em Portugal. Conforme costuma ocorrer nas tartarugas, a região dorsal da sua carapaça tem forma de abóboda, sendo a de Plesiochelys notavelmente mais comprida que larga, mas reconhecendo-se como muito larga no caso de Craspedochelys. No entanto, existe um plesioquélido muito peculiar, até agora muito mal conhecido, descrito apenas na Europa Central. Trata-se de Tropidemys, uma tartaruga com uma curiosa carapaça, já que tem uma marcada cresta sagital que percorre desde a região anterior até à posterior. A informação sobre esta forma estava praticamente restringida à Suíça e Alemanha. Um trabalho recentemente publicado por Adán Pérez-Garcia (Investigador da SHN e do Instituto D. Luís da Universidade de Lisboa), aporta novos dados sobre a diversidade e distribuição paleogeográfica de Tropidemys. Por um lado, Tropidemys é reconhecida na Grã-Bretanha, propondo-se uma nova combinação (Tropidemys blakii), correspondente a uns fósseis já descritos, de maneira muito preliminar, há cerca de um século e meio, mas até agora geralmente ignorados. Por outro, Tropidemys é reconhecido em Portugal. Concretamente, identificou-se um exemplar procedente de Praia Azul (Torres Vedras), nas colecções paleontológicas da SHN. Assim, não só se reconhece uma ampla área de distribuição para Tropidemys, mas também que se regista uma elevada diversidade de tartarugas marinhas litorais no Jurássico Superior de Portugal e, mais concretamente, nos níveis sedimentares de Torres Vedras.

Abstract
The record of coastal marine turtles belonging to Plesiochelyidae is abundant in the Late Jurassic of Portugal. The material analyzed thus far has been attributed to two taxa: Plesiochelys and Craspedochelys. A specimen is presented here that allows extending the known diversity of Portuguese Jurassic turtles. It is attributed to Tropidemys. Although this taxon is relatively well known in the Kimmeridgian record of Switzerland and Germany, no specific allocation performed outside these countries can be, so far, confirmed. The detailed study of the poorly known British taxon “Pelobatochelysblakii allows its specific validity to be confirmed here, being recognized as a member of Tropidemys. The revision of this species and the analysis of the new Portuguese specimen allow extending the knowledge regarding the genus Tropidemys.


Referencia: Pérez-García, A. 2015. Revision of the British record of Tropidemys (Testudines, Plesiochelyidae) and recognition of its presence in the Late Jurassic of Portugal. Journal of Iberian Geology 41: 11-20.