quarta-feira, 19 de Março de 2014

Projecto Bússola

No âmbito do Projecto Bússola estão agendadas duas acções de formação, a desenvolver pelo Departamento de Informação Geográfica da SHN:

  • Conhecer os mapas: iniciação à cartografia - 4h
  • Mapear a minha terra: Open Street Map - 8h
Vão ser realizadas na Junta de Freguesia de Ponte do Rol nos dias 3 e 10 de Maio.

As inscrições estão abertas na sede da própria junta, inscreva-se já!

domingo, 2 de Março de 2014

Apresentação da Sociedade de História Natural a professores e educadores

Participem e/ou divulguem:

Caro professor,


Venha conhecer o trabalho desenvolvido nos últimos 15 anos pela Sociedade de História Natural (Torres Vedras). Deixe-se guiar pela exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", patente no Museu Municipal Leonel Trindade e venha também conhecer o Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia, departamento responsável pela investigação e gestão do património paleontológico. Colocamos ao seu dispor um conjunto de atividades pedagógicas, workshops e formações que podem ser adaptadas a qualquer público-alvo. Estamos disponíveis para marcar um encontro consigo aos sábados, às 10 horas. Indique-nos a sua preferência: 8, 15 ou 22 de Março. Inscreva-se através do link: http://bit.ly/MTxJci.





Entretanto aproveite para explorar o nosso site www.shn.pt.






Ponto de Encontro:


Museu Municipal Leonel Trindade


Praça 25 Abril, Convento de Nossa Senhora da Graça


2560-286 Torres Vedras

sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

Portuguese and Spanish researchers from the SHN 'reinterpret' a classic sauropod dinosaur from Portugal

Copyright Ivan Gromicho/SHN
Despite being one of the first species of dinosaur to be described in Portugal , the classification of sauropod Lourinhasaurus was contested in recent years . Discovered in 1949, it is a standard reference on European sauropod dinosaurs literature since its publication in the 50s. Recently, a team of Portuguese and Spanish paleontologists, lead by Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) researchers Pedro Mocho and Francisco Ortega, reviewed the fossil Lourinhasaurus alenquerensis deposited in the Geological Museum of Lisbon.

 Discovered in 1949, it is a standard reference on European sauropod dinosaurs literature since its publication in the 50s. Recently, a team of Portuguese and Spanish paleontologists, lead by Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) researchers Pedro Mocho and Francisco Ortega, reviewed the fossil Lourinhasaurus alenquerensis deposited in the Geological Museum of Lisbon.
Since the 50s, the big showy femur exposed in the rooms of the Geological Museum Lourinhasaurus received thousands of visitors, but to date, neither the public nor the researchers had a clear idea about what group of sauropods this specimen belong to. It was found in 1949 in the field near Moinho do Carmo ( Alenquer, Portugal ) and first studied by Albert Lapparent and George Zbyszewski in 1957 .
A team of Portuguese and Spanish researchers , from the Laboratory of Paleontology and Paleoecology of the Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal ) and the Universidad Nacional de Educación a Distancia ( UNED), carried out a thorough review of the remains of Lourinhasaurus alenquerensis and concluded that this dinosaur is a European representative of the same group as the North American Camarasaurus dinosaur known .
" The Lourinhasaurus sauropod found in Moinho do Carmo is one of the classics of European dinosaurs fossil record, and there where proposed quite divergent classifications for it, reaching a point that we did not know what their true phylogenetic position , and is relationship with other sauropod dinosaurs. This is problematic at the time when we build our interpretations about paleobiogeography " said Portuguese Pedro Mocho, lead author of the study published in the Zoological Journal of the Linnean Society, and also a researcher of the Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal) and in the Universidad Autónoma de Madrid (were he is a Phd candidate).
This dinosaur lived in the Iberian Peninsula in the Upper Jurassic , 150 million years ago . With the appearance of a typical sauropod: Long neck and tail, small head and four sturdy legs , could weigh up to 10 tonnes and measuring 15 meters , very similar to the famous Diplodocus and Brachiosaurus physically.
 .
Systematic Review

Researchers from the Sociedade de História Natural and the UNED, which counted with the collaboration of expert Rafael Royo - Torres from the Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis , reviewed in depth all the elements that were extracted in the excavation of the Moinho do Carmo and that are today deposited in the Geological Museum of Lisbon.

"These remains are very numerous, constituting one of the most complete European sauropods " refers Rafael Royo - Torres. This review led to reinterpret some of their bony elements and thereby realize its phylogenetic position. " The most interesting was that we were able to find nowadays a number of former remains of Lourinhasaurus never before described in the extensive collections of the Geological Museum in Lisbon. Several weeks were required to review all the boxes with leftovers of Lourinhasaurus and we can now reveal it to the scientific community . The collections of the Geological Museum remain a mine of knowledge for all of us to explore", believes Pedro Mocho.
"The specimen was described in the '50s with the name Apatosaurus alenquerensis (a diplodocíd sauropod). In 1998 we published a preliminary review and realized that it did not belong to the North American genus Apatosaurus and established a new genus named Lourinhasaurus " explains Francisco Ortega, a researcher from Evolutionary Biology Group at UNED and also from the Laboratory of Paleontology and Paleoecology from the Sociedade de História Natural, and co-author. " Since then, some authors suggested the possibility of a European camarasaurid, but without performing a detailed systematic review ".
The deposits of fossil vertebrates from the Portuguese central coast are a key to the interpretation of peninsular ecosystems during the Upper Jurassic . The close relationship of Lourinhasaurus with North American genus Camarasaurus continues to add information on the process of continental separation of Europe and America!

quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

Lourinhasaurus alenquerensis: o retorno do Rei!

Muito poderíamos escrever sobre este dinossauro e muitas palavras fluiram nos últimos meses sobre as numerosas horas perdidas procurando a identidade desconhecida (ou quase) de Lourinhasaurus alenquerensis, um dos saurópodes mais "problemáticos" do registo fóssil português. Por isso, hoje tentaremos dar novas respostas e, por sua vez, abrir novas questões com a revisão deste taxon. 


Lourinhasaurus alenquerensis foi achado em Alenquer (Portugal) pelo geólogo norte-americano Harold Weston Robbins. Em 1957, este saurópode foi publicado por Albert de Lapparent e Georges Zbyszewski como uma nova espécie de Apatosaurus: Apatosaurus alenquerensis. Após esta publicação já se disseram muitas coisas sobre este material, mas muito pouco sobre a sua verdadeira identidade.  
Da esquerda para a direita, Rafael Royo-Torres (FCPT-Dinópolis),
 José Joaquim dos Santos
(SHN), Pedro Mocho (SHN/UAM) e Francisco Ortega (UNED/SHN),
no Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da SHN (Março de 2010).
 Em 1998, o estudo de material clássico e uma nova descoberta em Porto Dinheiro (Lourinhã), possibilitou a Pedro Dantas (Sociedade de História Natural e MNHN/UL) e colaboradores definir um novo género,  Lourinhasaurus. No entanto, um ano depois, uma nova análise por parte de José Bonaparte e Octávio Mateus revelou que o material descoberto em Porto Dinheiro tinha características morfológicas distintas do saurópode de Alenquer, permitindo a definição do primeiro saurópode diplodocídeo europeu: Dinheirosaurus lourinhanensis. 

Ísquios de Lourinhasaurus alenquerensis
Depois deste último trabalho, pouco mais se fez em relação a este taxon, e o saurópode do Moinho do Carmo ficou esquecido como um saurópode problemático. Numa investigação conjunta que conta com a participação da Sociedade de História Natural (Torres Vedras, Portugal), Universidad Autónoma de Madrid (Espanha),  o Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Madrid, Espanha) e a Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel-Dinópolis (Espanha), publica-se hoje (20-02-2014) um trabalho da autoria de Pedro Lopes Mocho, Rafael Royo-Torres e Franscisco Ortega, que é um novo esforço para compreender o saurópode mais completo do Jurássico Superior Português. Incorporando Lourinhasaurus numa ampla análise filogenética de saurópodes, concluiu-se que este dinossauro pode ser atribuído ao grupo Camarasauromorpha. Para Além da sua posição como camarasauromorfo basal, este estudo suporta a existência de Camarasauridae como um grupo monofilético, composto por Lourinhasaurus, Camarasaurus e Tehuelchesaurus
Fémur de Lourinhasaurus alenquerensis
(Museu Geológico e Mineiro, Lisboa)
A revisão do material clássico da jazida de Moinho do Carmo, depositado noMuseu Geológico de Lisboa, ao que se juntou a descrição de material inédito, permitiu recompilar dados importantes para esta reavaliação sistemática, e dar um passo mais em direcção a uma melhor compreensão dos saurópodes do Jurássico Superior. Não obstante, futuras análises provarão a robustez destes resultados e incrementarão todavia mais  informação sobre este saurópode, o primeiro camarasauroídeo identificado na Europa. Este novo trabalho foi publicado na revista científica Zoological Journal of the Linnean Society.




Para mais informação:
Referencia: Mocho, P.; Royo-Torres, R.; Ortega, F. (2014). Phylogenetic reassessment of Lourinhasaurus alenquerensis, a basal Macronaria (Sauropoda) from the Upper Jurassic of Portugal. Zoological Journal of Linnean Society. DOI: 10.1111/zoj.12113


domingo, 12 de Janeiro de 2014

Nova página da Sociedade de História Natural na Internet

A Sociedade de História Natural tem o prazer de anunciar a nova página na Internet

www.shn.pt

The Sociedade de História Natural has a new web site:
www.shn.pt
 visit us at the new address.


Visite-nos!












Nota de imprensa apresentada na apresentação publica de Hylaeochelis kappa



Apresentámos ontem, dia 11 de Janeiro, no Museu Municipal Leonel Trindade (Torres Vedras), e onde se encontra em exibição a nossa exposição "Dinossauros que viveram na nossa terra", a nova tartaruga fóssil da Colecção Paleontológica da Sociedade de História Natural: Hylaeochelis kappa.


Deixamos aqui a nota de imprensa e umas imagens.


Reconstrução de Hylaeochelis kappa (autor: Carlos de
Miguel Chaves)
Apesar de serem menos populares, as tartarugas são um componente habitual nas jazidas com fósseis de dinossauros e em muitas ocasiões resultam tão úteis como estes
para compreender como foram os ecossistemas de há milhões de anos.
O exemplar, que vai ser publicado na revista ComptesRendusPalevol, da Academia de Ciências francesa, está composto por grande parte da carapaça encontrada na praia de Porto do Barril, em Mafra, já nos seus limites com o concelho de Torres Vedras (Portugal). Este fóssil pertence à Colecção Paleontológica do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de Historia Natural (Torres Vedras) e foi recolhido em 2011 por José Joaquim dos Santos, um colaborador habitual desta instituição, e que durante 20 anos terá reunido um importante espólio paleontológico, entretanto adquirido pela Câmara Municipal de Torres Vedras e depositado na Sociedade de História Natural, como resultado de um protocolo de cooperação para a gestão do património paleontológico.

A análise do fóssil permitiu reconhecer que se trata de uma tartaruga de água doce, e
pertencente a um género até agora exclusivamente conhecido na Grã Bretanha, a partir
de fósseis que datam do Cretácico Inferior. Hylaeochelys kappa foi uma tartaruga que
atingiria cerca de meio metro, caracterizada por possuir uma carapaça arredondada e
muito baixa, o que permite identifica-la como um organismo de hábitos nadadores. O
exemplar português viveu há pouco mais de 145 milhões de anos e constitui, portanto, o
representante mais antigo do género e o único conhecido até ao momento no Jurássico.

Denominou-se de “kappa” esta espécie, como referencia a uma figura mitológica
japonesa com aspecto de tartaruga, os “kappas”, que parecem tomar esse nome da
vestimenta dos monges portugueses que chegaram ao Japão no século XVI, e aos que se
assemelhariam por apresentar uma espécie de tonsura.

Hylaeochelys kappa é uma forma primitiva do grupo a que pertencem a maior parte das
tartarugas actuais, ou seja, as criptodiras. Este grupo engloba a quase todas as tartarugas
de água doce, as tartarugas de carapaça mole, as terrestres e as marinhas. Durante o
Jurássico Superior deu-se a abertura do Atlântico norte e a Europa começou a ter uma
fauna diferenciada da de América do Norte. Posteriormente, durante o Cretácico, ocorre
uma profunda transformação das faunas de vertebrados, que conduz à substituição da
maior parte dos grupos antigos e a instalação de muitas linhagens novas. Assim, durante
o Jurássico, são abundantes os representantes de alguns grupos de tartarugas
exclusivamente europeias, como os plesioquélidos, que desapareceram no final deste
período. Da mesma maneira, as tartarugas cretácicas europeias não apresentavam até
agora parentes directos no Jurássico e, portanto, não se conhecia nenhum género de
Apresentação pública
tartarugas europeias que atravessasse esta fronteira temporal. À luz deste achado,sabemos agora que pelo menos Hylaeochelys já existia no Jurássico. Tudo parece indicar que alguns géneros de répteis Jurássicos europeus de água doce, como Hylaeochelys, mas também crocodilos, conseguem sobreviver, alcançando o Cretácico
com menos dificuldade que os seus parentes marinhos. Pode-se interpretar que alguns ecossistemas continentais nesse momento puderam ter mais estabilidade que os
Adán Pérez Garcia (SHN/UCM), Dr. Carlos Miguel
 (Presidente da CMTV), Francisco Ortega (SHN/UNED),
Bruno Camilo Silva (Presidente da SHN)
ambientes costeiros, os quais se viram submetidos a importantes câmbios no nível do mar, no final do Jurássico, afectando drasticamente as suas populações de répteis. A fauna de vertebrados que habitou no Jurássico Superior da Bacia Lusitânica está constituída fundamentalmente por dinossauros e crocodilos, dos quais se conhece uma relativa diversidade, que serve como um excelente exemplo dos ecossistemas da Península Ibérica, de há mais de 145 milhões de anos. Os fósseis de tartarugas são muito abundantes nos sedimentos desta idade na Bacia Lusitanica, e sabe-se que a sua diversidade poderia estar composta por mais de meia dúzia de formas, mas que até agora apenas duas eram reconhecidas com precisão ao nível da espécie.

Este novo achado realiza-se no contexto da análise da fauna de vertebrados do Jurássico
Superior da Bacia Lusitânica, que se desenrola desde há uns anos no âmbito do
Laboratório de Paleontologia e Paleocologia da Sociedade de Historia Natural (Torres
Vedras) e do qual fazem parte investigadores portugueses e espanhóis.

A referência ao manuscrito é :Pérez-García, A., & Ortega, F. A new species of the
turtle Hylaeochelys (Eucryptodira) outside its known geographic and stratigraphic
ranges of distribution. ComptesRendusPalevol. doi:10.1016/j.crpv.2013.10.009.