quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

IV Congresso Jovens Investigadores em Geociências, LEG 2014-10-21


Decorreu nos passados dias 11 – 12 de Outubro, no Centro de Ciência Viva de Estremoz a quarta edição do Congresso Jovens Investigadores em Geociências. O encontro contou este ano, pela primeira vez, com uma sessão de comunicações dedicada à paleontologia. Nesta sessão foram apresentados diversos trabalhos sobre diferentes temáticas da paleontologia em Portugal. Esta sessão contou com as seguintes apresentações: 

  • Estudo sistemático e paleoambiental de um conjunto de dentes de tubarões do Miocénico de Carcavelos, a cargo de Cristiana Esteves (Universidade de Lisboa). 
  • Estudo preliminar sobre restos osteológicos de saurópodes diplodocideos do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica, apresentada por Pedro Mocho (Sociedade de História Natural/Grupo de Biología Evolutiva UNED)
  • Estudo de novas ocorrências de terópodes, com o estudo de um novo exemplar identificado ao clado Megalosauroidea proveniente de uma jazida do litoral da região de Lourinhã, apresentado por Elisabete Malafaia (Sociedade de História/Universidade de Lisboa). 
  • Estudo do registo de equinodermes do Ordivícico da região de Mação, a cargo de Ana Jacinto (Universidade de Lisboa/Universidad Complutense de Madrid)
  • Ocorrências de trilobites na Formação Ribeira da Laje desta mesma região por Sofia Pereira (Universidad de Lisboa).
Fila superior: Ana Jacinto (FCUL/UCM), Sofia Pereira (FCUL), Inês Andrade (FCUL), Vanessa Pais (FCUL), Cristiana Esteves (FCUL/SHN), Inês Pereira (UE/CCVE), Fila inferior: Pedro Mocho (SHN/UNED/UAM), Elisabete Malafaia (UCM)


O congresso contou com a apresentação, em forma de poster, de uma análise de ostracodos e microfácies de depósitos do Cenomaniano da região de Lisboa, a cargo de Vanessa Pais e Inês Andrade (Universidade Lisboa). 

Juan Carlos Gutiérrez-Marco falando sobre a geologia e paleontologia de Gondwana

A conferência de encerramento do encontro esteve a cargo de Juan Carlos Gutiérrez-Marco do Instituto de Geociências da Universidade Complutense de Madrid, que nos levou numa interessante viagem para conhecer as margens do continente Gondwana.

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Referências:

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Diplodocídeos do Jurássico Superior no IV Congresso de Jovens Investigadores em Geociências


No passado dia 12 de Outubro foi apresentado no IV Congresso Jovens Investigadores em Geociências uma nova comunicação sobre dinossáurios do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica. Intitulada de “A preliminary evaluation of Diplodocidae record from the Upper Jurassic of Lusitanian Basin (W, Portugal)”, nesta comunicação apresenta-se uma análise preliminar do registo fóssil de saurópodes diplodocídeos da Bacia Lusitânica, assim como uma nova proposta filogenética para o registo conhecido (em particular para Dinheirosaurus) e para novas ocorrências em Valmitão (Lourinhã), Cambelas (Torres Vedras) e Praia Vermelha (Peniche). Este estudo foi conduzido pelos paleontólogos Pedro Mocho, Rafael Royo-Torres, Francisco Ortega, Elisabete Malafaia e Fernando Escaso. Este estudo resulta assim de uma colaboração entre instituições portuguesas e espanholas, como a Universidad Autónoma de Madrid, Sociedade de História Natural, Grupo de Biología Evolutiva UNED, FCPT-Dinópolis e o Centro de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Pedro Dantas (SHN) na excavação de Dinheirosaurus (Porto Dinheiro, Lourinhã)

Deixamos aqui o resumo em inglês e português 

Abstract: The diplodocid record from the Upper Jurassic of the Lusitanian Basin is relatively scarce. This record includes Dinheirosaurus and some fragmentary remains, among which there has been proposed a second taxon. The study of three new specimens from Valmitão (Lourinhã), Cambelas (Torres Vedras) and Praia Vermelha (Peniche) and the redescription of Dinheirosaurus is providing new information about the diplodocids of the Lusitanian Basin. Preliminary phylogenetic analyses suggest that these new specimens and Dinheirosaurus are derived diplodocids closely related to Diplodocus and Barosaurus from the Morrison Formation. 

Resumo: O registo fóssil de diplodocídeos proveniente do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica é relativamente escasso. Este registo inclui Dinheirosaurus e outros exemplares mais fragmentários, dos quais se considera a existência de um segundo taxon. O estudo de três novas ocorrências em Valmitão (Lourinhã), Cambelas (Torres Vedras) e Praia Vermelha (Peniche) assim como a redescripção de Dinheirosaurus têm fornecido nova informação sobre os diplodocídeos da Bacia Lusitânica. Análises filogenéticas preliminares sugerem que estes três espécimenes e Dinheirosaurus correspondem a diplodocídeos derivados relacionados com Diplodocus e Barosaurus da Formação de Morrison.

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Referências:

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Eousdryosaurus nanohallucis gen. et sp. Nov: um novo dinossauro ornitópode do Jurássico Superior de Portugal

Eousdryosaurus, o pequeno dinossauro que viveu num tempo de gigantes
Reconstituição de Eousdryosarus nanohallucis (crédito: Raúl Martin)
Um grupo de investigadores associados do Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia da Sociedade de História Natural publicou recentemente na revista internacional Journal of Vertebrate Paleontology a descoberta de uma nova espécie de dinossauro ornitópode que viveu no território português há 152 milhões de anos. Este novo dinossauro foi apelidado de Eousdryosaurus nanohallucis que significa “o dryossáurio do oriente com dedo reduzido” e pertence à Colecção Paleontológica da SHN, e é carinhosamente apelidado pela equipa como "Manuelino"! Bem vindo, então!
Várias jazidas do Jurássico Superior encontradas nos últimos anos na região centro-oeste de Portugal são especialmente ricas em restos de dinossauros e outros vertebrados, situação que tem permitido aumentar consideravelmente o conhecimento sobre os ecossistemas que constituíram a Península Ibérica há 150-145 milhões de anos. Este novo dinossauro foi encontrado em 1999 por um amador, num bloco caído das arribas na Praia de Porto das Barcas (Lourinhã). Posteriormente, o responsável pela descoberta, e que reuniu uma grande colecção de dinossauros por si recolhidos em 80km de costa litoral oeste, doou o seu espólio à Câmara Municipal de Torres Vedras, onde vive, para que esta integrasse a colecção paleontológica já existente na Sociedade de História Natural, sediada em Torres Vedras.
Cladograma de Eousdryosaurus
Este novo exemplar, em muito bom estado de preservação, consiste num esqueleto parcial do qual se encontram representados elementos da cauda, da cintura pélvica (pélvis) e das patas posteriores. Neste exemplar é de destacar a presença de um pé completo que permite constatar que Eousdryosaurus possuía um dedo do pé de pequenas dimensões (dedo I) e dirigido posteriormente, uma das características peculiares desta nova espécie. Ao longo da sua história evolutiva os dinossauros ornitópodes adquirem um pé constituído por três dedos. Contudo, a excelente preservação de Eousdryosaurus permite à comunidade científica concluir que isso ocorreu após a radiação dos dryossáurios, que ainda mantêm quatro dedos no pé.
Pata de Eousdryosaurus
O estudo do registo de dinossauros do Jurássico Superior Português permitiu a descoberta de mais de uma dezena de novas espécies. Entre estas, Eousdryosaurus é a primeira espécie de um ornitópode dryossáurio. Os dryossáurios foram um grupo de pequenos dinossauros bípedes e provavelmente ágeis e velozes que habitaram na Europa, América do Norte e África durante o final do período do Jurássico e início do Cretácico. Eousdryosaurus foi um pequeno dinossauro que viveu num tempo de gigantes: o esqueleto encontrado em Porto das Barcas pertenceu a um indivíduo que teriam aproximadamente 1.60 metros de comprimento e cerca de meio metro de altura. Este dinossauro encontrado em Portugal é ligeiramente mais pequeno que os exemplares mais bem conhecidos deste grupo, como é o caso do representante Norte-americano Dryosaurus.
A descoberta e o estudo desta nova espécie foram desenvolvidos por uma equipa internacional de investigadores da Sociedade História Natural (Torres Vedras), do Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Espanha) e da Universidade de Lisboa, que se têm dedicado conjuntamente e nas últimas décadas ao estudo das faunas de vertebrados, em particular dinossauros, do Jurássico Superior português. 
Para quem esteja por Torres Vedras, realiza-se dia 16 de Setembro pelas 17h a apresentação pública de Eousdryosaurus (Manuelino, para os amigos), no Museu Municipal de Torres Vedras, onde se encontra patente a exposição da SHN "Dinossauros que viveram na nossa terra".


Referencias:
Fernando Escaso, Francisco Ortega, Pedro Dantas, Elisabete Malafaia, Bruno Silva, José M. Gasulla, Pedro Mocho, Iván Narváez& José L. Sanz. “A new dryosauridornithopod (Dinosauria, Ornithischia) from the Late Jurassic of Portugal”. Journal of Vertebrate Paleontology, 34(5): 1102 - 1112.DOI:10.1080/02724634.2014.849715.


segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Novas escavações Paleontológicas em Torres Vedras



Decorreu de 30 de Agosto a 8 de Setembro uma nova escavação paleontológica de dinossauros, em Cambelas, Torres Vedras. Os trabalhos nesta jazida iniciaram em 2003, com uma nova fase de sondagens de diagnóstico em 2011. Após estas avaliações prévias, de forma a determinar o potencial desta jazida, os paleontólogos da Sociedade de História Natural concluem que se trata de uma das mais interessantes jazidas escavadas até ao momento, registando-se, para além de importantes informações sobre saurópodes, uma rara associação de outros dinossauros numa única jazida do Jurássico Superior de Portugal. Para além dos já mencionados saurópodes, registou-se a ocorrência de importantes partes esqueléticas de tireóforos (dinossauros couraçados). Está já em desenvolvimento um projecto para futuras campanhas a desenvolver nos próximos anos nesta jazida!


A par das escavações, decorreram acções de sensibilização junto da comunidade residente na Freguesia de São Pedro da Cadeira sobre a actuação da Sociedade de História Natural e o património paleontológico, em concreto sobre a necessidade de existir uma estreita relação na sua defesa, e em conjunto travar actos de vandalismo e remoções extemporâneas! A participação da população foi muito gratificante, a qual se prontificou a participar mais activamente neste assunto.


Para além de paleontólogos da Sociedade de História Natural, participaram nesta campanha colaboradores do Grupo de Biologia Evolutiva da UNED (Madrid), Universidade de Évora e ainda com a participação de doutorandos da Universidad Autonoma de Madrid e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Departamento de Geologia). Para o próximo ano está previsto a inclusão de outras instituições internacionais no projecto, uma vez que a informação sobre os dinossauros encontrados nesta jazida são muito importantes para compreender a história evolutiva e a dispersão geográfica dos dinossauros entre Portugal e a América do Norte durante o Jurássico Superior, cujas massas continentais estariam muito próximas.

Estas escavações tiveram o apoio da Junta de Freguesia de São Pedro da Cadeira, Câmara Municipal de Torres Vedras, empresas Ângelo Custódio Rodrigues S.A., Polígono Industrial do alto do Ameal e Euroener S.A. De extrema importância foi ainda a colaboração dos proprietários do terreno, os quais autorizaram a escavação.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Sociadade de História Natural em Campanha Palentológica no estado Norte-Americano de Utah

Pedro Mocho (UNED/SHN, à direita) e Doug Goodreau (Responsável do Dinolab, Natural History Museum of LAC, à esquerda)

Nos últimos anos, tivemos a oportunidade de escavar dinossáurios nos sedimentos do Jurássico Superior da Formação Morrison, em San Juan County (Utah, EEUU). Nesta campanha, organizada pelo Dinosaur Institute do Natural History Museum of Los Angeles County, esteve presente, mais uma vez, o paleontólogo português Pedro Mocho, investigador da Universidade Autónoma de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras que tem desenvolvido o seu estudo em colaboração com o Grupo de Biología Evolutiva da UNED e a Fundación Dinópolis (Teruel, Espanha) sobre os saurópodes do Jurássico Superior Português assim como sobre a evolução de este grupo ao longo da transição Jurássico Médio-Jurássico Superior.

Membro do Dinosaur Institute escavando um fémur de um saurópode diplodocídeo

Conhecido pela sua beleza natural sem paralelo, no estado de Utah (EUA) também afloram importantes extensões da Formação Morrison ricas em fósseis de dinossáurios. Desde 2007, com o descobrimento de uma jazida apelidada de "Gnathalie", temos escavado diversos grupos de dinossáurios saurópodes, ornitísquios e terópodes. 

Doug Goodreau (LAC) e Jonatan Kaluza, preparador paleontóligo argentino

Nesta campanha, os trabalhos de escavação de diversos indivíduos relacionados ao grupo Sauropoda e encontrados em anos anteriores tiveram continuidade, com a descoberta de numerosos restos preliminarmente relacionados a saurópodes diplodocídeos.

Agora seguimos em Los Angeles, para estudar todo material encontrado previamente na jazida de "Gnathalie".

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Sobre o IX Congresso Nacional de Geologia/ 2º Simpósio de Paleontologia Brasil-Portugal


Desenvolvimento Sustentável da Terra: Novas Fronteiras” foi o tema do IX Congresso Nacional de Geologia (IXCNG), que decorreu entre 18 e 24 de Julho no Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. No âmbito deste evento decorreu o 2º Simpósio de Paleontologia Brasil-Portugal. Neste encontro foram apresentados diversos trabalhos de investigação sobre diferentes temáticas da área da paleontologia, desenvolvidos em Portugal e no Brasil mas também em países africanos.
Os dinossáurios marcaram presença com um trabalho sobre o registo de ceratossáurios do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica (resumo em anexo), coordenado pela investigadora da Sociedade de História Natural e da FC da Universidade de Lisboa. A presença neste registo de uma forma de ceratossáurios basal estreitamente relacionada ao género Ceratosaurus, descrito em níveis correlativos da América do Norte, tem sido proposta com base em escassos elementos apendiculares e alguns dentes isolados. Recentemente, a análise de uma nova amostra, constituída por um conjunto de elementos apendiculares, acrescenta novos dados que suportam esta hipótese. Estes fósseis constituem a evidência mais completa que se conhece até ao momento da presença de Ceratosaurus na Europa, estendendo o registo deste género de terópodes fora da América do Norte. 

No âmbito do 2º Simpósio de Paleontologia Brasil-Portugal foi também apresentado o estudo de um conjunto de ovos fósseis de crocodilomorfos recolhido no Jurássico Superior da Formação da Lourinhã, no litoral da região de Cambelas em Torres Vedras, Portugal. Este trabalho foi apresentado por João Russo e realizado em colaboração com O. Mateus, A. Balbino e M. Marzola, do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, do Museu da Lourinhã e do Departamento de Geociências da Universidade de Évora. 



Uma revisão do registo de bivalves citados no Pliesbaquiano (Jurássico Inferior) da Bacia Lusitânica, com actualização das espécies referidas neste registo, bem como a sua distribuição temporal e espacial, foi apresentada por Ricardo Paredes (PDF disponível em anexo). Este paleontólogo, do Departamento de Paleontología da Facultad de Ciencias Geológicas da Universidad Complutense de Madrid apresentou ainda, em colaboração com M.J. Comas-Rengifo da mesma instituição e L.V. Duarte do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, um trabalho sobre o valor patrimonial das falésias fossilíferas do Sinemuriano (Jurássico Inferior) no Centro-Oeste de Portugal.

O estudo de um conjunto de fósseis de trilobites do Ordovícico Superior de Mação (Portugal) foi apresentado por Sofia Pereira do Departamento de Geologia (DG) e Centro de Geologia (CG) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).Neste trabalho, desenvolvido em colaboração com A.A. Sá do Departamento de Geologia da Universidade de Trá-os-Montes e Alto Douro (DG, UTAD) e do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra (CG, UC), C.M. Silva do DG e CG da FCUL e N. Vaz do DG, UTAD e CG, UC, foi descrita e figurada pela primeira vez a espécie Panderia beaumonti no registo português.


O 2º Simpósio de Paleontologia Brasil-Portugal contou ainda com diversos trabalhos sobre paleobotânica bem como sobre diferentes temáticas no âmbito da micropaleontologia.