quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Novo dinossauro de Torres Vedras reforça ideia de partilha de faunas entre Portugal e EUA durante o Jurássico Superior

De 10 a 13 de Outubro realizou-se na cidade de Pittsburgh (Pensilvania, Estados Unidos) o 70th Annual Meeting Society of Vertebrate Paleontology. Nesta reunião científica, em concreto na sessão de quarta-feira (dia 13), foi apresentada uma primeira aproximação a um novo tipo de ornitópode camptosaurídeo do Jurássico Superior de Torres Vedras (Bacia Lusitaniana, Portugal) e as suas relações de parentesco com os membros desta linhagem da América do Norte. O espécime em questão, da Colecção de Referência da ALT-Sociedade de História Natural (ALTSHN.0015), é atribuída a Camptosaurus aphanoecets, recentemente descrita (Carpenter & Wilson, 2008) na Morrison Formation (EUA). Uma vez mais, Portugal e a Península Ibérica (em particular com a presença do dinossauro saurópode espanhol Turiasaurus em Torres Vedras e Lourinhã, Portugal) apresentam-se como um espectacular cenário biogeográfico, com faunas de dinossauros endémicas e partilhadas com a América do Norte.
A presença de formas estreitamente relacionadas com faunas sincrónicas no registo norte-americano, em simultâneo com formas endémicas e outras partilhadas pelo registo europeu, está ainda muito dependente da interpretação das relações de parentesco de muitos grupos representados. Os terópodes Lourinhanosaurus e Aviatyrannis são, de momento, exclusivos da Península Ibérica e Ceratosaurus e Torvosaurus seriam formas partilhadas (pelo menos a nível genérico) com o registo sincrónico de América do Norte. A ocorrência de Allosaurus em Portugal é muito mais conclusiva. Surgindo  em Pombal e em Torres Vedras (nas arribas da Praia de Cambelas), a descrição destes exemplares constitui a primeira referência robusta de um allossaurídeo na Europa, do género fora da América do Norte e de uma espécie de dinossauro partilhada entre a Europa e os EUA. Os restos de Allosaurus conhecem-se bem nas camadas sincrónicas da Formação Morrison nos Estados Unidos, mas o achado dos exemplares portugueses sugere uma distribuição mais ampla da espécie ao largo da Laurasia. Esta presença de faunas partilhadas levam a supor a existência de uma ligação terrestre, pontualmente emersa ao largo do proto - Atlântico Norte, e que permitiria o intercâmbio de dinossauros entre os dois continentes. A estas espécies, juntam-se ainda Stegosaurus armatus de Casal Novo (Batalha). 

Estes trabalhos de investigação científica foram apoiados pela Câmara Municipal de Torres Vedras, pela Empresa Ângelo Custódio Rodrigues S.A, (a ambos agradecemos este profícuo e exemplar apoio) e financiados pelo projecto PTDC/ CTE-GEX/ 67723/ 2006 “Estudo da Fauna de Vertebrados do Jurássico Superior da Bacia Lusitânica e Implicações Paleobiogeográficas (VERT-JURA) da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
 


4 comentários:

Jorge disse...

Tenho acompanhado de perto a ALT-Sociedade de História Natural e a sua actividade, o que uma vez mais acho fantástico...precisamos neste país de mais iniciativas como a Vossa para levar a bom porto a defesa do património e o conhecimento científico. Mais que tudo, agrada-me a atitude de ser uma instituição que aposta na criação de meios e estrutura científicos de iniciativa privada (mas que engloba a sociedade civil) fora dos grandes e obsoletos centros de investigação, e ao contrário da já velha lógica das associações do património que lutam de uma forma bota abaixo pela comunicação social...vocês são o futuro do património e da investigação e promoção da paleontologia nacional

Jorge disse...

Tenho acompanhado de perto a ALT-Sociedade de História Natural e a sua actividade, o que uma vez mais acho fantástico...precisamos neste país de mais iniciativas como a Vossa para levar a bom porto a defesa do património e o conhecimento científico. Mais que tudo, agrada-me a atitude de ser uma instituição que aposta na criação de meios e estrutura científicos de iniciativa privada (mas que engloba a sociedade civil) fora dos grandes e obsoletos centros de investigação, e ao contrário da já velha lógica das associações do património que lutam de uma forma bota abaixo pela comunicação social...vocês são o futuro do património e da investigação e promoção da paleontologia nacional

Jorge disse...

Tenho acompanhado de perto a ALT-Sociedade de História Natural e a sua actividade, o que uma vez mais acho fantástico...precisamos neste país de mais iniciativas como a Vossa para levar a bom porto a defesa do património e o conhecimento científico. Mais que tudo, agrada-me a atitude de ser uma instituição que aposta na criação de meios e estrutura científicos de iniciativa privada (mas que engloba a sociedade civil) fora dos grandes e obsoletos centros de investigação, e ao contrário da já velha lógica das associações do património que lutam de uma forma bota abaixo pela comunicação social...vocês são o futuro do património e da investigação e promoção da paleontologia nacional

Jorge disse...

Como disse anteriormente, o Vosso trabalho é imprescindível....parabéns...apesar de viver em Lisboa vou sem dúvida fazer-me sócio...como posso fazê-lo?